Provedor fala sobre os desafios de administrar a Santa Casa de Guaçuí

COMPARTILHE
376

O AQUINOTICIAS.COM conversou como José Areal Prado Filho, 53, técnico em enfermagem, casado, pai de duas filhas e um enteado, e com um casal de netos, que contou um pouco sobre os desafios de receber um hospital afundado em dívidas e transformá-lo em uma referência estadual.

AQUINOTICIAS. Trabalhar com a saúde sempre foi uma vontade? Como você chegou à Santa Casa?

José Areal. Eu sempre gostei da área da saúde. Já trabalhei em outro hospital, mas como técnico de enfermagem em Santa Tereza. Posteriormente fui para Vitória, mas o salário era baixo. Então fui trabalhar em outras áreas. Quando retornei para Guaçuí montei uma loja. Mas com duas filhas na faculdade não podia me dedicar à saúde. Fiquei 15 anos com esta loja na cidade e após um período com a minha saúde debilitada precisei vendê-la devido ao tratamento. Depois de um tempo me convidaram para fazer parte da Irmandade da Santa Casa

Continua depois da publicidade

Como foi o caminho que te levou a provedoria da Santa Casa?

Denis Vaz e o Capitão Daniel Alves Lima, que eram provedores na época, me convidaram a fazer parte de uma chapa para concorrermos à diretoria, como segundo tesoureiro. Algumas coisas aconteceram e passei a primeiro tesoureiro e acabei virando provedor, já que o Daniel não pode assumir a provedoria.

O que o motivou para assumir a provedoria da Santa Casa de Misericórdia?

Esta é uma área que eu sempre me dediquei, então motivação não me faltava. Sou uma pessoa movida a desafios.

Você herdou uma entidade cheia de dívidas, em descrédito. Como foi encontrar essa realidade?

Quando fui convidado a fazer parte, primeiro conversei com minha família. Minha esposa e filhos me apoiaram. Mas todos os meus amigos disseram que era uma loucura o que eu estava fazendo. Foi assustador, pois eu encontrei o hospital praticamente falido. Existia uma dívida de, praticamente, R$ 5 milhões. Nos reunimos com os funcionários e colocamos a diretoria para trabalhar em conjunto para tentar resolver a situação.

Quais foram as medidas adotadas à época?

Pagamos os funcionários e fornecedores em dia. O que não tinha condições de ser feito naquele momento, negociamos e parcelamos. Fui ao comércio pedir crédito para o hospital. Cheguei a ser uma espécie de avalista no comércio local. Graças a Deus deu certo! Hoje temos outra realidade, uma credibilidade fruto do trabalho de todos. A intenção de toda a diretoria está se concretizando. De 2016 a 2018 pagamos tudo em dia e mais da metade do parcelamento das dívidas antigas está paga.

Além das dívidas, quais foram os outros desafios?

Quando assumimos, tivemos um embate grande com a Vigilância Sanitária. Eles queriam fechar o centro cirúrgico e a Central de Material e Esterilização (CME). Até concordo que a CME estava ultrapassada, mas pedi um prazo de 90 dias para que pudéssemos fazer a reforma. Em 45 dias a nova CME estava pronta, tudo feito com dinheiro doado pelos médicos. A aparelhagem foi adquirida através de emendas parlamentares. Hoje a CME é uma das melhores do estado.

A conquista das certidões negativas de débito foi um marco na Santa Casa. O que você pode falar deste processo?

Este foi um trabalho do nosso supervisor hospitalar, Denis Vaz, e do nosso departamento jurídico. Foram algumas viagens para Brasília e muito trabalho aqui em Guaçuí. Depois que conseguimos podemos dizer que temos outra entidade.

As emendas parlamentares que a Santa Casa de Guaçuí conseguiu também foram para custeio?

As aparelhagens compradas só beneficiaram a Santa Casa. Não conseguimos muitos recursos para custeio, mas o pouco que veio contribuiu bastante.

Como é o relacionamento com os parlamentares?

Este relacionamento é construído diariamente pela nossa diretoria. Procuramos fortalecer estas parcerias para que o nosso hospital continue crescendo e nossa população continue a ser beneficiada.

Como é lidar com tantos funcionários?

É um pouco complicado. Nem todos se dedicam tanto quanto gostaríamos, mas o comprometimento é notável. Quando nós, da diretoria, mostramos que queremos trabalhar o máximo para transformar a Santa Casa em um hospital de grande porte eles passam a nos ajudar, assumindo este compromisso também, trabalhando em conjunto com o mesmo intuito.

Quais são as metas para 2019?

Eu sou um pouco ambicioso. No final de 2019 termina meu período a frente da provedoria. Temos um projeto para construir quatro salas cirúrgicas novas, reformar a maternidade e o refeitório. Quero entregar tudo pronto. Gostaria, ainda, de não deixar nenhuma dívida e, se possível, com dinheiro em caixa. Estamos trabalhando para conseguir atingir essa meta.

Qual o sentimento de pegar uma entidade praticamente falida e transformá-la em hospital de referência?

Eu agradeço muito as parcerias, a Deus! É um sentimento de dever cumprido, fiz minha parte.

Qual recado você deixa para a população?

Continuem ajudando a Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, mesmo que seja através de cobrança, para que o serviço seja cada vez melhor. A crítica construtiva é sempre bem-vinda. Hoje, podemos não precisar do hospital, mas não sabemos o dia de amanhã.

Publicidade