O retrato da criminalidade em Cachoeiro

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Nos últimos meses, moradores e comerciantes de Cachoeiro de Itapemirim têm sido alvo frequente da criminalidade. A onda de assaltos e roubos que assola a cidade tem preocupado tantos os munícipes quanto a própria Polícia Militar e a Prefeitura.

Para tentar resolver o problema, PM e Guarda Civil Municipal iniciaram uma série de blitzen em locais não convencionais na cidade, como foco principalmente nas motocicletas. Mas nem mesmo essas ações tem inibido a criminalidade que está cada mais ousada.

Somente em janeiro deste ano, a polícia contabilizou 168 crimes relacionados a roubos e furtos, incluindo assaltos à mão armada.

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“O medo passou a ser um sentimento rotineiro, e assim vamos seguindo nossas vidas, saímos de casa para realizar nossas tarefas diárias com a incerteza do que vamos encontrar pelo caminho, à medida que vamos caminhando pelas ruas a insegurança é evidente. É corriqueiro olhar as pessoas na rua com certa estranheza, com certa desconfiança, isso já se tornou um gesto automático. Não queremos muito, desejamos apenas que nossos direitos sejam garantidos pelas instituições, queremos ter a liberdade de estar em nossas casas, em nossos trabalhos, de poder ir e vir com segurança, não queremos que esse sentimento de medo seja permanente em nossas vidas”, contou Ediane Pasinatto, que já foi vítima da criminalidade.

Criminalidade em números

No ano passado, a polícia registrou 963 roubos/furtos em via pública, que são assaltos, em sua maioria, de celulares e objetos pessoais; 343 roubos/furtos em estabelecimentos comerciais; 351 roubos/furtos à residência; 567 roubos/furtos de veículos; e quatro roubos/furtos em transporte coletivos.

“Infelizmente estamos vivendo numa prisão sem grades, os assaltos não têm hora para acontecer, e o policiamento é muito precário, inclusive no período de carnaval o policiamento desaparece dos bairros e nós comerciantes ficamos com medo”, afirmou Daniele Tomaz, proprietária de uma sorveteria, localizada no bairro IBC, assaltada três vezes em menos de um ano.

“Ser nóia é ter passe livre para roubar”

Para o advogado e empresário Weliton Altoé é preciso que os setores públicos e as instituições de segurança tratem a origem da insegurança, que em sua maioria, é vinculada ao uso de drogas.

“Sabemos que, em sua maioria, os roubos e furtos estão relacionados ao uso de drogas. Estes usuários cometem estes delitos para sustentar o vício, prejudicando o cidadão de bem. Já fui vítima destes criminosos na minha residência, no meu escritório de advocacia, já tive moto furtada e meus funcionários também já tiveram motos levadas em frente ao meu estabelecimento. É impressionante a falta de atuação das polícias. É até ridículo acionar uma polícia quando você é assaltado. A resposta que temos é ‘isso é coisa de ‘nóia’’, e ninguém apura nada. Hoje em dia, em Cachoeiro, ser ‘nóia’ é ter passe livre para roubar”, comenta o advogado.

Ainda segundo Altoé, durante a madrugada é possível ver um grande volume de usuários de drogas circulando pela 25 de Março, onde fica seu escritório. “É impressionante os pequenos vãos por onde estas pessoas passam, e assim como meu escritório já foi alvo de criminosos, o INSS, que fica ao lado, foi invadido duas vezes em menos de 15 dias. Absurdo! O Brasil precisa enfrentar o problema das drogas, ou nada vai mudar. Infelizmente, já pagamos nossos impostos e precisamos investir em segurança privada, e se não pagarmos pelo serviço privado, ficamos à mercê e somos punidos pelos criminosos”, reclamou.

Operações

Segundo a Prefeitura, a Guarda Civil Municipal (GCM) iniciou operações em diferentes pontos da cidade, que vão acontecer diariamente no município visando garantir a segurança da população e reduzir os índices de criminalidade. “De nossa parte, intensificaremos, dentre outras estratégias, as fiscalizações de motocicletas, que são mais usadas por criminosos”, explicou o secretário Ruy Guedes.

O comandante do 9º Batalhão da PM, tenente-coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que a aproximação entre polícia e município é essencial para combater o crime. “Essa interação será essencial para a inibição desses tipos de crime. Parabéns ao município por assumir e fazer sua parte”, completou o Rubim.

Atuação da PM

Em janeiro deste ano, 196 operações foram deflagradas pela PM. Já durante 2018, a polícia fechou o ano com 1.368 operações concluídas, entre blitzen, cercos táticos, abordagens e operações de rotina.

 

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