Cai número de acidentes de trabalho no setor de rochas da região Sul

DADOS. Em relação ao número de mortes, houve crescimento no setor, segundo o Sindimármore, sindicato que representa os trabalhadores.

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Foto: Alessandro de Paula
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O Espírito Santo registrou redução de 60% no número de mortes no setor de rochas ornamentais nos últimos dez anos. Em 2018, foram seis vítimas fatais. Já em 2008, o índice chegou a 15 mortos.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extrações, Beneficiamento e Comercio de Mármore, Granitos e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindimármore), houve redução, também, no número de acidentes típicos do trabalho quando comparado 2018 ao ano anterior.

São considerados acidentes típicos do trabalho torções, cortes, esmagamentos, quedas e amputações. Em 2017 foram registrados 320 casos, já no ano seguinte, 278.

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Em relação ao número de mortes no setor de rochas capixaba, entre 2017 e 2018, houve aumento significativo. O sindicado apurou seis mortes por acidente do trabalho no ano passado, e três no ano anterior.

Também houve crescimento nos acidentes com morte na região Sul. Em 2017 houve uma morte. Já no ano passado, três pessoas morreram.

Acidentes em Cachoeiro

Seguindo os dados estaduais, Cachoeiro de Itapemirim também registrou redução nos acidentes típicos do trabalho nos últimos três anos.

Em 2016, foram 117 acidentes típicos, 15 doenças do trabalho, sendo todas perda de audição, e 24 acidentes de trajeto. No ano seguinte, foram 115 acidentes típicos, nenhuma doença do trabalho e 25 acidentes de trajeto.

Em 2018, a redução foi significativa. O número de acidentes típicos caiu para 71, nenhuma doença do trabalho e 17 acidentes de trajeto.

Prevenção

Segundo o médico do trabalho, que atua há 43 anos, 22 deles dedicados à área da medicina do trabalho, Alandino Pierri, estes números poderiam ter sido evitados com adoção de um conjunto de ações prevencionistas.

Alandino Pierri, médico do trabalho.

“É importante ressaltar, que não só no setor de rochas, mas em todos os outros seguimentos de atividades econômicas, os acidentes de trabalho podem ser evitados, com ação conjunta entre funcionários e empresa. É preciso que as empregadoras estejam atentas aos riscos de suas atividades, e os funcionários sigam as normas de segurança estabelecidas pela legislação trabalhista.”, explica o médico.

Ainda segundo Pierri, muitas empresas são palcos de mortes e acidentes graves por que acreditam que só fornecer os Equipamentos de Segurança Individual (EPI), como protetores auditivos, óculos e máscaras já são o suficiente.

 

“Não adianta a empresa fornecer os EPI’s, mas não realizar a manutenção das máquinas, não treinar e deixar tudo por conta do colaborador. É preciso orientá-lo de maneira correta, organizar ações de treinamento e rotineiramente fiscalizar se as normas de segurança estão sendo obedecidas. Porém, por outro lado, é necessário que o funcionário, após treinado, reconheça os riscos, exija a proteção adequada e, principalmente, cumpra com suas obrigações, obedecendo as regras de segurança”, ressalta o especialista.

O médico afirmou que, muitas vezes, o funcionário é o maior responsável pelos acidentes rotineiros, já que reconhece os riscos, mas negligencia em sua própria proteção pois com o tempo acaba naturalizando a possibilidade de um acidente ocorrer, isto é, acostuma com o ambiente perigoso e acha que aquela situação de risco é natural.

“Temos que desmitificar o acidente de trabalho com algo natural, como uma tragédia anunciada, como por exemplo, o caso do rompimento da barragem em Brumadinho, que ocorreu três anos após o mesmo problema ocorrer em Mariana. Apesar do grande porte da mineradora, o rompimento já havia dado sinais de que poderia acontecer, segundo o que temos visto nos noticiários, mas nenhuma providência foi tomada, o mesmo ocorre com a maioria das empresas, seja ela de pequeno, médio e grande porte. Ou seja, muitas vezes o risco, com possibilidade iminente de acidente, já foi reconhecido por todos, empresa e empregados, mas nenhuma providência é tomada, passado o tempo aquela hipótese vai se tornando natural, até ser esquecida, e terminando em mortes, mutilações e graves problemas de saúde”, afirma Alandino Pierri.

Evolução

Os números de acidentes e mortes no setor de rochas é bem menor se comparado com os últimos dez anos, como citado acima, isso é resultado das ações que foram adotadas após a cobrança constante de toda a sociedade. Principalmente com as ações dos Sindicatos e dos Órgãos fiscalizadores, Mist. do Trabalho, Mist. Público e outros, o que levou evolução do setor de Saúde e Segurança de Trabalho das empresas.

“Há 20 anos, o setor de medicina e segurança do trabalho era muito escasso. Mas atualmente, em qualquer cidade, mesmo que do interior, já existem profissionais ou clínica que atuam neste setor. Qualquer empresa, independente do porte ou atividade, pode contratar estes serviços, como oferece a Pierri Ocupacional. É fácil cumprir as normas de segurança com auxílio destes profissionais, inicialmente reconhecendo os riscos da atividade e em seguida auxiliando na implantação das diversas ações preventivas de segurança, tais como treinamentos, palestras, cursos, e monitorando a saúde do trabalhador através dos exames médicos. O importante é evitar o acidente do trabalho”.

Estabelecer diálogos

Outra grande medida importantíssima para evitar os acidentes ou doenças de trabalho, segundo o médico, é estabelecer diálogos com os trabalhadores e, não somente adotar as medidas comuns para evitar acidentes. Acompanhar o comportamento diário do trabalhador, mudanças de humor ou atitudes estranhas. Atualmente, conforme mostram as pesquisas, o número de doenças mentais ocasionadas pelo trabalho vem crescendo muito, e estas ações podem colaborar para evitar grande parte dessas doenças, muitas vezes irreversíveis.

“A empresa precisa estar atenta ao comportamento do funcionário. Muitas vezes, um problema pessoal, financeiro, uma depressão, síndrome do pânico e crises de ansiedade podem tirar a atenção do trabalhador, principalmente nas funções perigosas. É preciso estabelecer diálogos, sem ser invasivo, é procurar alinhar um melhor caminho, para que tudo se resolva bem, sem maiores transtornos e, principalmente, evitar os já corriqueiros assédios morais”, finalizou o doutor Pierri.

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