Vulgarização da política

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“A política brasileira é uma velha roupa, usada por todos e remodelada por alguns”

Essa frase denuncia a nossa falta de criatividade política, a nossa inabilidade no quesito renovação e a nossa alta queda para a vulgarização de assuntos pertinentes, sérios e que continuam desafiando a política brasileira. Para contribuir com esse cenário devastador, o crescente ódio, os ataques a imagem e a falta de projeto parece ser a grande bandeira das inúmeras e midiáticas estruturas eleitoreiras.

Na verdade, parece que essas incriativas alas estão concorrendo quem é ou quem será o herdeiro da geriátrica política, quem ocupará o posto de maior refém da condecorada corrupção ou o ingênuo título de novo paladino do populismo, visto que a imagem ou o personagem são e serão bem maiores do que o esquecido e desconsiderado projeto. Assim, o eleitorado brasileiro continuará votando em velhos atores, em insistentes partidos e não em projetos, alimentando seus comezados vícios e seus repetidos contornos.

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Deste modo, a configuração da falida geopolítica nacional prosseguirá percorrendo o tortuoso curso da “política da camaradagem”, onde o estômago suprime a consciência e os olhos ofuscam a nítida realidade, mostrando que o interesse dessa gente desairada é bem rasteira, o que transforma a matéria política em uma ciência vulgarizada. Tudo isso aponta para uma estrutura pública ultrapassada e que necessita “brutalmente” de uma grave e inteligente ruptura, ou de uma nova ortopraxia política (filosofia prática), o que muito ajudará no resgate do exercício da decência, no natural protagonismo da sociedade e no positivo fomento da reespiritualização da prestação do serviço público.

Enquanto isso for um mero pensamento ou uma idéia sem corpo, vamos continuar sendo governados pelos envaidecidos, pela cultura do achismo e pela oquidão do atraso que insiste em usar o uniforme de novo ou de única e absoluta solução. Enquanto os lados se tencionam e se petrificam, o lado de dentro dessa alcateiada massa mostra descaradamente que não tem cor, bandeira e muito menos limites, servindo como depósito de ódio, poupança de delinquência e mesa de raposas.

Enfim, as cartas foram lançadas ao forte vento, os velhos lobos ensaiam o amiudo uivo e as famintas hienas estão prontas para devorar mais uma geração que banalizou a vida, que trocou seus sonhos por lutosos lamentos e que vulgarizou a política, a valiosa política!

Vistamos a desbotada roupa, compartilhemos com os nossos, remodelemos para alguns e deixemos milhões e milhões despidos!

Assim é a política, a vulgarização da política,

Weverton Santiago

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