TRAGÉDIA: "LAMA, ÁGUA E FOGO"

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O ano de 2019 começou com tragédias marcantes, como o rompimento da Barragem Córrego do Feijão que atingiu a cidade de Brumadinho, as chuvas torrenciais no Rio de Janeiro e nas demais cidades brasileiras e o fogo que vitimou dez crianças no Centro de Treinamento do Flamengo. O Brasil conheceu de perto a dolorosa lágrima do sofrimento, no qual a vida parece ser um simples e descartável acessório, dessa acelerada e desenfreada existência.

Todas essas tragédias tem um ponto muito sinótico – a irresponsabilidade das autoridades brasileiras. Não pretendo ser leviano, muito menos oportunista, entretanto, é necessário que falemos de forma crua para descrever o imenso luto que assolou o nosso “tupiniquizado” coração. É obvio que devemos separar o que é evitável do que não é; esses três terríveis casos, seriam e são evitáveis, contudo, a omissão mais uma vez falou mais alto.

A tragédia de Brumadinho é o cúmulo do desleixo público, onde o lucro suprimiu toda prevenção, transformando a matéria segurança em gastos e não em investimentos. As águas do Rio de Janeiro denunciaram o descaso do Poder Público com a política habitacional, fazendo dos abarrotados morros cariocas um amontoado de desesperança, uma tragédia social sem fim. Já a comovente morte dos 10 atletas do Flamengo é o grande símbolo da mutação comercial e relacional, onde coisas são mais importantes do que pessoas, uma lástima para um país que produz ricos e não riquezas.

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Tudo isso é uma grande roda gigante, vivemos para matar e morremos para viver, porque o latido da cobiça intimida fracos e enfraquecidos. Esse cenário de um bolo muito mal dividido, onde SEIS PESSOAS FÍSICAS faturam o mesmo que 100 milhões de pessoas. Essa é a soma de um País que investe 134 BILHÕES na educação, o mesmo valor que os banqueiros lucram anualmente com as descaradas taxas bancárias. Isso é o resultado de uma política desproporcional, onde quase 50% de tudo que o governo brasileiro arrecada vai para o bolso de quem vive sentado no confortável sofá da sala, faturando com o câncer da economia mundial, a política de juros e a predatória especulação do capital, posturas animalescas dessa gente faminta, que faz política com os olhos e com o estômago.

Assim, enquanto a população permitir esses marcados e trágicos eventos ela continuará ouvindo o vultoso coral do desespero, do medo e da morte! Enquanto o dinheiro for a melodia preferida dos alienados, o consumismo que consome a alma covardemente ordenará quem vive e quem morre! É preciso uma grave ruptura com essa “praguizada” doutrina do lucro, onde precisaremos reconceituar muita coisa, inclusive os distorcidos modelos de riqueza e de pobreza, pois toda conquista que sacrifica a vida, não é conquista, é cheiro do engano e caminho de perdas!

Enfim, a lama que arrasou Brumadinho é a mesma lama da histórica barragem da política brasileira. As águas que protagonizaram as correntezas fatais dos morros cariocas são as mesmas águas que banham as requintadas piscinas da milionária Zona Sul do Rio de Janeiro. Já o fogo que destruiu as humildes famílias dessas crianças que sonhavam com o mundo do futebol é o mesmo fogo que devora os sonhos de muitos brasileiros que só querem conhecer a escassa dignidade, a estrada da honra e o pequeno filete de felicidade, apenas isso!

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