Sociedade, Sociedades e Sociedades

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Assisto com frequência a filmes e séries e suas histórias são fascinantes. Não precisam ser filmes ou séries premiadas ou o assunto do momento. O que me atrai é a história e como ela é contada, até mesmo nos mais agitados ou naqueles mais lentos, onde a fotografia é linda e integrada ao conteúdo.

E nessa indústria temos hoje, mais do que nunca, uma interação entre filmes e séries, um bebendo do outro e contribuindo para a qualidade do que assistimos. Algumas das séries duram anos, outras não passam do primeiro episódio, batizado de piloto e que às vezes é lançado como filme e fica por aí. Dramas, terror, aventura, ficção científica, distopias; não tenho uma única linha, várias que me agradam.

Em uma dessas séries, onde a história é inspirada em grande parte nos contos dos irmãos Grimm, temos o nosso planeta povoado por seres e por humanos, os primeiros também com aparência humana e, portanto, indistinguíveis aos humanos comuns. Seres de fantasias, lendas, mitos e inventados que se parecem com os humanos e vivem como humanos, e que por debaixo dessa capa formam uma enorme sociedade com leis e regras próprias, e sociedades menores, porque dentre eles há predadores e presas naturais, além de um leque de outras criaturas.

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A língua alemã é muito utilizada na série e a palavra que os seres utilizam para os humanos tanto pode significar “os outros” quanto “outro lado”. Há lobos, coelhos, corujas, ogros, grifos, sereias, serpentes e outros que não saberia listar tal a variedade. O que se torna interessante é a apresentação de cada ser na história, onde suas naturezas se mostram como as conhecemos ou estimamos, seres que não querem chamar a atenção e outros que querem a fama, seres ambiciosos em termos financeiros ao ponto de não terem qualquer escrúpulo para seus objetivos e outros dóceis que amam a vida e a simplicidade. Vemos também seres que enfrentam crises como os humanos enfrentam, adolescência, juventude, ritos de passagem e casamentos, luto e espiritualidade.

Claro que cada pessoa que a acompanha enxerga de forma singular aquilo que vê, e o que vejo são as sociedades dentro das sociedades dentro da grande sociedade do mundo atual. Pessoas ou seres de bem que querem o melhor para suas famílias e para as pessoas em suas comunidades e aqueles que pouco se importam com o próximo ou com suas vidas. Os seres de força física superior se impondo aos mais fracos, os sedutores aos mais sensíveis, os dirigentes aos que deveriam proteger.

Dinheiro, sangue, tradições antigas, poder, preconceitos dos mais diversos e outros temas são comuns entre os seres, que na verdade não seriam assim tão diferentes dos humanos. Há ainda aqueles que desejam romper com as velhas ideias e avançar rumo a uma sociedade mais acolhedora e equilibrada. Voltando ao significado da palavra que os seres usam para os humanos creio que, diante das histórias que na sua essência são as nossas histórias, somos o “outro lado” de nós mesmos, dependendo das circunstâncias e oportunidades além das nossas próprias naturezas.

A pergunta que fica diante de tanta informação sobre como nós somos é que tipo de ser eu sou em toda essa trama totalmente humana, e que usa de metáforas para nos alertar daquilo que está oculto porque a maioria ainda é controlada por uma minoria ciente e gananciosa, que faz das suas ferramentas de poder as nossas vendas e correntes. Somente um humano com certos genes (informação) consegue ver os seres e compreender o jogo existente por baixo das aparências, um humano cujo nome traduzido é, de forma simples, Ira.

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