Rio Itapemirim: em 1933, a maior enchente da história... até 2020

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“E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes.”

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Rubem Braga, o maior contador das histórias cachoeirenses, já convivia com as enchentes do Itapemirim. Na memória da infância, a saudade de abrigar parentes e amigos em casa, quando o rio estava mais bravo.  Um romantismo que, infelizmente, deu lugar às tragédias. Cachoeiro cresceu. Não tem mais lugar para o rio escapar, deixar correr suas águas.

Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras – há controvérsias, quando se trata das palavras de Rubem Braga -, mas elas mostram que desde sempre o cachoeirense mantém uma relação de amor e medo com o ora calmo, ora revolto, Itapemirim.

Na enchente de 1933, uma das piores, segundo historiadores, é possível ver que a água tomou de volta para si toda a cidade. A Avenida Jerônimo Monteiro virou um rio. Os moradores, sem os caiaques modernos, usavam barcos para ir lá e cá. De camiseta, shorts ou trajes de banho, lá estão os moradores enfrentando as águas do querido Itapemirim. Seria foto de hoje, se não fosse de ontem.

Com mais um triste capítulo dessa história, a destruição aumentou na mesma medida em que a ocupação das margens do rio aumentou. Falta-nos um Rubem Braga para colocar um pouco de poesia em tanta tragédia.

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