Respeitar as mídias tradicionais é reconhecer sua importância para a democracia

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Primeiramente gostaria de esclarecer que não estou aqui defendendo a Globo ou qualquer outra emissora, é apenas um pensamento meu para análise. Hoje vejo inúmeras postagens em vários grupos dizendo: “a Globo não mostra isso, a Globo não mostra aquilo, isso acontecendo e a Globo não mostra…” relacionando o quanto o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos utilizam as redes sociais para “noticiar” os fatos e fazendo questão de afirmar que foram eleitos pelas redes sociais, que a Globo despencou em audiência e que a mídia tradicional (rádios, jornais e sites de notícias) estão ultrapassados e quebrados.

Vale, porém, um questionamento sobre o comportamento dos Bolsonaro e de qualquer outro ator social em relação a importância que colocam nas redes sociais em detrimentos dos veículos de comunicação: porquê criticam e externam preocupação quando não veem tais notícias nas tradicionais mídias? Tem algo aí que não está batendo…

Sabe, eu fui eleitor de Bolsonaro. Também cansei do PT e estou cansado de ouvir tantas bobagens. Para mim, idolatrar um partido ou um candidato de direita é repetir o erro dos petistas. Todos cometem erros e acertos, não há santo na política e ninguém está imune a nada.

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Por isso, acho que o que está havendo é um forte movimento de desrespeito as pessoas e as mídias tradicionais que estão aí há mais de 30, 50, 80 e até 100 anos. Mídias que também cometeram erros, mas foram e são muito importantes para manter a democracia nesse País.
Se há o desejo para mostrar esse ou aquele movimento, é porque sentimos falta das coberturas dos veículos tradicionais. Então vamos respeitá-los, vamos dar a devida importância real a quem tem.

Redes sociais são bacanas, mas não têm CNPJ. O que temos visto são as redes sociais e a massa descontroladas, falando o que querem, quando querem e em qualquer momento, sem filtro do que é verdadeiro ou não, ganhando amplitude e muitas das vezes gerando conflito porque não há o compromisso com a correta apuração dos fatos. Isso é perigoso! Isso é colocar na mão de alguns desconhecidos sem responsabilidade, a comunicação do nosso país. As redes sociais são sim um grande avanço, mais não podemos confundir as coisas.

A máxima continua valendo: quem não se comunica com profissionalismo corre o risco de morrer com o coração repleto de ótimas ideias.

Elias Carvalho é diretor do Grupo Folha do Caparaó de Comunicação, vice-presidente da Findes na Região do Caparaó, diretor da ACISG ( Associação Comercial e industrial Guaçuí), diretor do Instituto Rota Imperial e Conselheiro Estadual do Turismo.

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