A ILHA

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Na ciência, a chamada “Regra da Ilha” se refere ao gigantismo ou nanismo que espécies de animais desenvolvem em gerações por habitarem ambientes restritos, ilhas ou não. Alguns herbívoros crescem por não encontrarem predadores e se tornam mais lentos por não precisarem mais correr. Se encontrarem predadores em seu território o seu destino normalmente é a extinção, o seu tamanho a razão para o seu fim. Outros animais diminuem graças à pouca disponibilidade de recursos para sobrevivência, uma adaptação que afeta sua população além do seu tamanho.

Em uma ilha determinada se desenvolveram algumas espécies curiosas e únicas. Grandes herbívoros da espécie corrupto andavam soltos e rebolativos, calmos em seus pastos verdes e olhando despreocupadamente para as demais espécies (que não sofreram qualquer evolução, não foram submetidos ao sofrimento limite que inicia imensas migrações nem tiveram em seu arranjo social alterações capazes de proporcionar mutações positivas nas gerações posteriores). Formavam manadas mansas sem qualquer risco aos corruptos.

Algumas poucas espécies também de herbívoros, os honestos e os conscientes, que tentaram competir limitando o apetite dos corruptos sucumbiram às limitações e reduziram suas populações e tamanhos. Não eram predadores dos corruptos e, uma vez oprimidos, se restringiram aos seus espaços sem perder de vista o que acontecia à volta.

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Tudo parecia seguir sem alterações até surgirem naturalmente saltos evolutivos de algumas outras espécies, antes calmas e que costumavam interagir sem maiores consequências. Também herbívoros, a justiça, os procuradores, a polícia federal, a opinião pública e os cidadãos se incomodavam com o excesso de corruptos, mas se rendiam ao ambiente. Um salto evolutivo e imprevisto tão importante que gerou novos nomes para as mesmas espécies, diferenciando a geração de antes e a que surgiu, mesmo coexistindo.

Dizem que foi a proliferação e apetite desenfreados dos corruptos que causou o salto evolutivo por reduzir a alimentação dessas espécies (tese não comprovada), outros dizem que foi um vírus chamado informação, outros ainda dizem que foi o enorme desequilíbrio provocado na ilha que ameaçou a existência de todas as espécies.

E em sua sabedoria, a natureza transformou essas novas espécies em predadores de caça sem sangue e sem mortes, destinada a eliminar pelo confinamento o que for possível na população de corruptos e restringindo ao máximo os movimentos dos sobreviventes não identificados. Foram e tem sido dias de intensa movimentação na ilha, muito em parte provocados por duas espécies de parasitas chamados mídia e esseteefe, cuja sobrevivência parece ainda depender muito dos corruptos.

Do que se sabe da ilha, aqueles que a habitam tem tido perdas populacionais crescentes nas movimentações físicas naturais e também pela violência, qualidade da água e do ambiente, grande parte provocadas pelos corruptos e só agora vistos assim pelas demais espécies, mais notadamente pela sociedade organizada, uma espécie que mesmo não sendo predadora parece ter influência sobre as demais.

Os estudos continuam sendo realizados, tanto pelo fato das mudanças ainda não permitirem determinar quais espécies serão dominantes, sofrerão gigantismo ou nanismo ou até mesmo extinção quanto pela existência de outras ilhas com situações semelhantes e em estágios diferentes. De qualquer forma, certas regras historicamente são atemporais e sempre implacáveis. Acompanhemos.

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