REFORMA PROTESTANTE

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Sou defensor do diálogo inter-religioso e procuro respeitar as pluralidades no que tange a Fé e suas múltiplas manifestações. Dentro das diversas frentes do movimento cristão sou simpático ao ecumenismo, embora não seja adepto das suas não obrigatórias práticas. Vale lembrar que o ecumenismo cristão é bem delimitado, no qual a promoção do diálogo se restringe as Igrejas professamente cristãs. Os contrários a esse movimento não conhecem a essência ecumênica, apegando-se secamente a apologética das suas particulares e místicas convicções.

Um exemplo claro da falta de compreensão do movimento ecumênico é a infantil e inventada ideia que o ecumenismo é a junção dos diferentes dogmas, o que não é verdade. O universo ecumênico tem o propósito de promover o diálogo sobre Jesus Cristo, seu imanente testemunho, seu sacrifício e sua ressurreição, alicerces graduais da perdida unicidade cristã. Chega ser incoerente e escandalosa a confissão em um só Senhor, com a gritante divisão entre os elos cristãos. Como disse Santo Agostinho: “o maior escândalo do cristianismo é a sua divisão”.

Essa guerra de conceitos precisa ser pesquisada de acordo com seus contextos históricos para não dar fundamentação as anacrônicos doutrinas. Se por um lado os teólogos sistemáticos reformados acusam a Igreja Romana de valorizar a tradição, esses mesmos teólogos sustentam obsoletos dogmas como verdade absoluta. Um triste exemplo está no capítulo XXV, parágrafo VI, da Confissão de Fé de Westminster, adotada por grande parte das denominações de cunho conservadora e fundamentalista, que assim preceitua: “Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus”.

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Em pleno século XXI, fico imaginando o Papa Francisco, essa singular e humilde figura sendo rotulado de anticristo. Outra coisa, é necessário ir além das tendenciosas e sistemáticas interpretações para não cometer equívocos gravíssimos como esse. Também é bom respeitar alguns princípios hermenêuticos para não condenar supostos e concretos erros já perdoados e devidamente corrigidos. Não é justo e muito menos cristão não aceitar a evolução da fé e do ser humano, lançando-o no obscuro passado outrora trilhado por todos nós.

Após arrancar meus dogmatizados olhos e livre dos meus construídos preconceitos, pesquisei os principais dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana. Pude perceber que, quando a teologia romana defende a ideia sacerdotal e representativa do Papa como apóstolo e herdeiro do legado do Apóstolo Pedro, (simbolicamente considerado o primeiro Papa), não é nenhuma pretensão de “ser” o próprio Cristo ou usurpação de função e de glória, e sim, a continuidade da obra sacerdotal, pastoral e solidária de Jesus Cristo, o Senhor de todos os cristãos.

Portanto, após meio milênio da Reforma Protestante, onde até mesmo as latinas e calvinistas “solas” foram erroneamente atribuídas ao monge alemão Martinho Lutero (Lutero que não queria dividir a Igreja, e sim, promover um transformador e corajoso debate teológico, com as 95 teses fixadas na abadia de Wittenberg), o mais importante é que aprendamos a chamar de irmãos aqueles a quem Deus chama de filhos, mostrando que hoje, o fator que une protestantes e católicos é muito maior do que aquilo que os separou há mais de 500 anos!

Assim, caminhamos e caminharemos,

Weverton Santiago

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