Que o ano seja mais humano

COMPARTILHE
50

Começo de ano é aquela época da gente avaliar o que pode melhorar em relação ao ano anterior. E quando a gente olha para o Brasil, sabe que há muito a melhorar. O ano de 2018 foi marcado por polarizações políticas, algo natural para um ano de eleição, mas o que preocupou não foi a visão ideológica diferente entre dois lados e, sim, a maneira como que as discussões aconteceram. Explico melhor: discutir futuro econômico do país, diretrizes e estratégias para o desenvolvimento é saudável, mas o que não é correto é discutir direitos humanos até então aplicados. A gente nem devia discutir direitos fundamentais e respeito ao próximo, mas isso foi necessário.

Não era difícil, por exemplo, ver discussões que justificavam o preconceito sobre a  homossexualidade, a submissão da mulher, a desigualdade social, a violência entre outros absurdos que nem deveriam entrar em discussão. Parece que uma espécie de ódio e intolerância tinha se manifestado sobre parte da sociedade, que decidiu justificar sua visão política com argumentos desrespeitosos.

Discutir política não é discutir os preconceitos, e, sim, maneiras de fazer a sociedade se desenvolver mais e melhor.  Um exemplo bem claro disso é quando muita gente questionou o feminismo, defendido por muitas candidatas mulheres, que almejavam cargos de deputadas, vereadoras, prefeitas. Muitos eleitores colocavam o feminismo como um inimigo, como se fosse uma atitude semelhante ao machismo, e não é. O feminismo é evolução e ele está desde os direitos das mulheres ao voto até a luta (que segue até hoje) para alcançar a igualdade de gênero no mercado de trabalho, ou seja, o feminismo não é nenhum inimigo da política, mas sim, um elemento básico para manter a igualdade.

Continua depois da publicidade

Outro cruel argumento de alguns eleitores era de que a intolerância a homossexualidade poderia definir um voto, e não define.  O crime de agressão e preconceito contra homossexuais é crime, e assim vai permanecer. Quem não consegue conviver com essas pessoas é que precisa melhorar seu interior, ter um exercício de convívio em sociedade e de respeito a escolha de quem está ao seu lado. A política não vai regredir nisso, porque isso é respeito, um elemento fundamental para o convívio em sociedade.

E sabe o que era pior de tudo isso? Que muitas das vezes os candidatos conservadores, podiam nem citar esses tipos de intolerância e desrespeito em suas campanhas, mas a própria população que mal interpretava as propostas, saia justificando seu voto com preconceito.

Por tudo isso, a gente espera que o ano de 2019 seja, pelo menos,  um pouco mais humano. Sociedade nenhuma evolui deixando os direitos humanos de lado. A gente só evolui quando tem respeito, trabalho e igualdade. E nos só queremos que aqueles gritos de raiva pelo próximo, se transformem em algo mais tolerante e menos agressivo neste ano. Só assim, nossa sociedade, e nossa política, evoluem.

 

Publicidade