Prefeito atrasado e a liturgia do cargo

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Pegou muito mal para o prefeito Victor Coelho (PSB), e principalmente para Cachoeiro de Itapemirim, chegar atrasado para a abertura da Feira Internacional de Mármore e Granito. Se um evento dessa magnitude, de porte internacional, estratégico para a economia regional e principalmente municipal, realizado no município, não merece a atenção necessária da agenda oficial do gestor, fica difícil imaginar o que possa ser mais importante. Valeu até uma gozação discreta do governador Paulo Hartung (MDB) que pediu uma saudação para o prefeito, apesar dele chegar atrasado. Mas seria cômico se não fosse trágico.

Victor, que por vezes prefere se passar por um cidadão comum, a ter uma postura de alguém acima dos demais cachoeirenses, como alguns prefeitos que já estiveram no poder e se achavam semideuses, até merece aplausos por inovar em certas atitudes do seu governo. Mas para tanto deve saber que existe a liturgia do cargo e nem tudo pode ser feito à maneira do ocupante da cadeira principal, seja ele prefeito, governador ou presidente.

O comportamento adequado para ocupantes de cargos públicos, aquele que se espera de alguém que esta nos mais altos escalões, inclui, impreterivelmente, que se chegue na hora marcada aos eventos, poupando assim aos presentes o desconforto e o desprazer de esperar por quem, que por dever de ofício e respeito ao público, deve ser pontual.

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Há por aí quem aplauda tudo que é diferente. Nem sempre tudo que é diferente é mais bonito ou mais importante do que aquilo que é igual. Um prefeito – e aí não se trata de Victor – anda de bicicleta visitando obras e diz que é para poupar gasolina. Alguns aplaudem, sem pensar no tempo que se perdeu nessa tarefa, quando poderia ter ido de carro, executado a fiscalização, e dedicado a outros problemas a tão apertada agenda um gestor. O exemplo, que não é de Cachoeiro, é apenas uma ilustração do que pode ser diferente da praxe comum, mas ao mesmo tempo tão inútil e improdutivo.

No caso de Victor, qualquer outra agenda por mais importante que fosse não deveria ser mais importante que a de terça-feira, com pessoas do Brasil e do mundo à sua espera. Ele pode até ter como justificativa o fato de estar em outra atividade de trabalho que merecesse dele a atenção devida. Mas qualquer tempo que ganhou em outra agenda pode ter sido tão improdutivo e inútil quanto o que ganharia em ter chegado antes da abertura da Stone Fair, recepcionado os empresários – brasileiros e internacionais – que empregam milhares de pessoas na cidade e na região.

A liturgia do cargo é para ser exercida e respeitada. Pode-se inovar em muitas coisas da administração pública, mas há outras que devem ser respeitadas e praticadas, afinal nem tudo que é tradicional é descartável. O compromisso e o respeito aos horários em eventos que engrandeçam o seu município devem ser tradicionalmente tratados como prioridade entre tantas prioridades que existem na administração pública.

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