Por que tantas epidemias nascem na China?

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Reuters
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Mais uma doença está surgindo na China. Depois do novo coronavírus, ou SARS-CoV-2, surge a notícia de que um novo vírus da gripe, com potencial de causar pandemia. Essa nova cepa, dizem as agências internacionais, tem os porcos como hospedeiros, mas podem infectar os seres humanos. Pior: há a preocupação de que ele possa ter uma mutação e se espalhar entre os seres humanos.

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A lista de vírus que vieram do outro lado do mundo é longa: em 2003, a Sars e, em 2005, a gripe aviária, preocuparam autoridades de saúde. A Sars foi a primeira nova doença infecciosa identificada no século 21 e também foi causada por um coronavírus, informa o artigo “Emergência e controle de doenças infecciosas na China”, da The Lancet, publicado em 2008. Os primeiros casos de Sars foram identificados na província de Guangdong em novembro de 2002. Foram só o início do problema, que se mostrou com força total com o novo coronavírus.

O artigo aponta ainda que a densidade populacional pode ser um dos fatores que colocam o país asiático como berço de tantas doenças. “A China é um dos principais contribuintes para a carga mundial de doenças infecciosas devido ao seu tamanho populacional. A associação da China com o resto do mundo por meio de viagens e comércio significa que os eventos no país podem afetar populações distantes”, relata o artigo.

Mas a grande população é somente parte da equação, segundo o estudo. “A interação ecológica de pessoas com animais na China favorece o surgimento de novas ameaças microbianas”, diz o artigo, e continua “com o aumento da riqueza na China, o consumo de proteína animal cresceu e o número de animais criados para alimentação, principalmente porcos e aves, aumentou rapidamente”.

Além disso, o comércio de animais vivos também pode ser um fator preocupante nesse cenário. “O movimento de animais vivos e o comércio através das fronteiras são as outras rotas pelas quais os patógenos podem alcançar novas populações animais e humanas. Animais e pássaros que migram ou voam e não estão confinados em espaços fechados compartilham sua flora microbiana com outras espécies. Por exemplo, estudos mostram que vírus que infectam morcegos podem causar doenças e morte em outras espécies, incluindo pessoas”.

A pesquisa, que foi feita há 12 anos, já mostrava a preocupação com a possibilidade de um surto maior e mais grave e as medidas que foram tomadas pelo país asiático para evitar novos surtos e pandemias, de acordo com o estudo, foram melhoria do abastecimento de água e saneamento; melhoria da segurança da coleta de sangue; controle de populações de camundongos, moscas, mosquitos, insetos e outros vetores; e uma mudança nos códigos legais relevantes para doenças infecciosas.

Pelo visto, infelizmente essas ações não foram suficientes. Basta olhar como está o mundo hoje!

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