POLÍTICA: "ESQUERDA CONTRA A ESQUERDA"

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A aliança nacional entre o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) anunciada em um evento em São Paulo, desnuda em plena luz do meio-dia a esperada disputa pelo protagonismo da ala esquerdista do país. Alguns setores mais otimistas da esquerda entenderam o acontecimento como a inauguração do fim da hegemonia petista e dos seus marcados desgastes políticos dos últimos anos. No encontro, o ex-governador Márcio França antecipou que é pré-candidato ao governo de São Paulo e chegou a dizer que PDT e PSB juntos são maiores do que o Partido dos Trabalhadores (PT).

Mas, esse passo pode ser mais um grande desastre político para a esquerda brasileira, mostrando que o racha político entre suas emblemáticas figuras pode facilitar as pretensões políticas e administrativas da “nova direita” brasileira. Uma das plataformas dessa união nacional entre os dois partidos é o fortalecimento do nome do presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) e do seu grupo político, encabeçado pelo presidente nacional da sigla Carlos Lupi, uma costura política considerada pelos mais cautelosos como precoce e bastante arriscada.

A grande preocupação é justamente a criação de antíteses entorno do nome do principal presidenciável pedetista, devido a sua pouca habilidade de realizar composições partidárias e de agregar politicamente. Ciro Gomes ainda é lido por muitos adeptos da esquerda como extremado e autoritário. No segundo turno do último pleito, Ciro e seu irmão o senador Cid Gomes (PDT-CE), não declararam apoio ao candidato petista Fernando Haddad (PT-SP). Os petistas acusaram os irmãos Gomes de “trair” a esquerda. No entanto, os petistas, especialmente o ex-presidente Lula foram acusados de elaborarem a manutenção do “projeto de poder” petista, apelidado de “lulopetismo”. No final das contas, ambos foram derrotados e viram à impiedosa e veloz escalada da confusa “nova direita”.

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Enfim, uma nova arena começa a ser montada e o que estamos para assistir é uma acirrada disputa da esquerda contra a própria esquerda, um embate que certamente enfraquecerá ainda mais a fragilizada ala, beneficiando seus opositores que aprenderam a otimizar os pontos fracos dos esquerdistas, principalmente a incontrolável vaidade política de alguns dos seus conhecidos personagens e a sua escancarada desunião. Vale ressaltar que nas eleições municipais de 2016, a esquerda foi praticamente varrida do cenário político, perdendo importantes prefeituras, como a capital paulista e outros estratégicos municípios.

Esquerda contra a esquerda, a direita agradece,

Weverton Santiago

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