POLARIZAÇÃO POLÍTICA OU FANATISMO?

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Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os intelectuais ávidos por marcar opinião costumam denominar de “Polarização Política”. A sensatez prefere batizar o atual momento político de FANATISMO.
Causa incredulidade como que esquerda e direita se assemelharam no Brasil!
Nos últimos 20 anos, os movimentos sociais foram elevados ao patamar de irrepreensíveis, próximos da perfeição e, que, sozinhos seriam a solução da miserável e desacreditada política brasileira. Com esta convicção, provável a conquista de adeptos, setores da sociedade, outrora esquecida e, que, surfando a mesma onda alçaram um degrau jamais alcançado. Louvável até então, mas a corrupção desonrou anos de lutas e conquistas.
Por sua vez a direita, calada, refugiada e para não dizer acovardada durante todo este período, selecionou “o Messias” para finalmente, ter o direito de voz restabelecido, quiçá preponderante tanto, a ponto de abafar a “parte adversa”.
A história política de qualquer sociedade civilizada é cíclica!
Enquanto enxergamos nosso mundinho verde e amarelo, na Europa a alternância dos polos está ocorrendo tão agressivamente como aqui. E isto é perfeitamente aceitável!
O que não dá para patrocinar é a ausência de reflexões, e excessos de adjetivações. O debate público é esvaziado e o grito simplista assume o seu lugar.
É um estado de horror! Palavras vazias, repetidas, manifestações que, embora sejam democráticas e com uma maquiagem de motivações, são pautas com clara sinalização de que perdemos a capacidade de dialogar urbanamente.
É inegável que por detrás de cada ponta extremista, há um interesse escuso de ter o Poder pelo Poder. Com isso, permanecemos estagnados, seja aplaudindo um líder incapaz de articular e pacificar a celeuma bizarra criada pelo antigo governo, seja saudando uma personalidade que já foi popular, mas, que hoje encontra-se desgastada pela condição de detento, e que ainda assim, vale-se da confortável posição de imputar o fracasso de seu partido a atual governança.
Por sua vez, é bom recordar, que foi promessa de campanha do Presidente eleito, que a questão ideológica seria deixada de lado. Até o momento só constatei que a corrente ideológica atual é apenas reversa, inclusive, com o mesmo grau de afetação popular.
No fundo, o extremista acusador, projeta no outro o seu próprio autoritarismo, representado pelas sobreditas ideológicas. Enfim, nada além de BLÁ, BLÁ, BLÁ.
Desapaixonadamente iremos além. Não é necessário aderir narrativas para ter posição. Pelo contrário, reconhecer erros e acertos seja de quem for, trará credibilidade para um momento tão sensível de nossa economia.
Realmente CONVERGIR agora não será um ato político propriamente dito, mas também não será uma manifestação de fanatismo. Que fantástico!!!

AUTOR: DR. IGOR FONSECA – Advogado
Coordenador da Comissão de Direito do Consumidor da OAB Cachoeiro de Itapemirim.
Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho.

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