Os juízes das redes sociais

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As redes sociais são ferramentas de comunicação mais utilizadas atualmente e facilitam o dia a dia da população. Mas junto dela vem a banalização do uso e, de modo incoerente e leviano, já que muitas pessoas escondem-se em seus smartphones e computadores para proclamar suas verdades doa a quem doer.

Os alvos preferidos dos chamados “juízes das redes sociais” são os políticos, daí incluem suas ações boas ou ruins, e as pessoas envolvidas em crimes, sejam elas culpadas ou não.

O poder sem precedentes ao escrever suas opiniões e pensamentos nas páginas mundiais faz, muitas vezes, subir à cabeça a possibilidade de se escrever o que bem quiser aos quatro cantos do mundo e desabafar cada revolta e angústia não dita cara a cara.

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Esse poder digital, porém, é como uma cortina de fumaça, pois geralmente não tem embasamento e grandes indícios de autoria. Na grande maioria das vezes os discursos facebookianos e do zap zap não passam de repetições e chavões ditos em série e de informações improcedentes.

O que chama a atenção é a falta de originalidade e os inúmeros “copia e cola”, que demonstram a ausência de conhecimento que pode ser gerado através da leitura, através da fome de saber, através da busca de argumentos sólidos.

Ontem mesmo, bastou o início das obras de revitalização da “Rua dos Bancos” (a Capitão Deslandes) para chover críticas a administração do prefeito Victor Coelho que foi acusado de estar jogando dinheiro fora, já que há um ano o local teria passado por obras.

Apesar de ampla divulgação na imprensa escrita e falada, incluindo as redes sociais, por quais os juízes de plantão utilizam para fazer seus julgamentos, o secretário de Obras teve novamente que explicar que no início do ano passado a obra foi paliativa, pois se fosse prolongada iria atrapalhar o trânsito no pós-período de férias. Hoje, o piso receberá blocos intertravados de concreto, que permitirá um clima mais agradável no Centro e mais segurança para pedestres e motoristas, numa obra realizada pela BRK Ambiental a pedido da municipalidade.

Outro ponto preocupante é a falta de compreensão do que se lê. A sociedade não lê pouco, porém, infelizmente, lê mal. O cidadão não consegue extrair informações elementares de textos simples e parece sentir prazer em fazer parte das brigas resultantes dessas incompreensões.

Recordo-me de um caso recente em Cachoeiro que deu muita repercussão. Logo que surgiu a informação de que um garoto de 9 anos apareceu morto no banheiro do apartamento de sua família, no residencial do Minha Casa, Minha Vida, do bairro Gilson Carone, por ter cometido supostamente um suicídio, começaram a circular boatos nas redes sociais de que o menino havia sido abusado sexualmente e morto pelo padrasto. Populares resolveram fazer justiça com as próprias mãos incendiando o carro e saqueando e depredando o apartamento do padrasto e da mãe do menino. Até hoje a Polícia Civil não confirmou se o menino realmente foi assassinado e abusado sexualmente. No entanto, o casal, que foi preso temporariamente para não atrapalhar as investigações, já foi julgado e condenado pelos juízes das redes sociais.

Tais julgamentos antecipados denigrem, constrangem e estragam a vida de muitas pessoas de bem. Assim, não podemos abrir mão do conhecimento. Conhecer é conseguir argumentar sem ferir, expor sem agredir, militar sem digladiar. Quando apenas reproduzimos o discurso do outro não somos capazes de dar voz às mazelas e temores que são nossos, que fazem parte do nosso mundo e a sociedade acaba sendo representada sempre de modo monofônico, por apenas uma voz, e com a audácia apenas dos poucos que foram em busca de conhecimento.

Antes de compartilhar e criticar é preciso ter conhecimento do assunto em que se pretende opinar. Procurar jornais e sites de notícias de confiança é uma boa opção e excelente ferramenta de conhecimento.

As redes sociais, quando bem utilizadas, podem sim melhorar a vida de cada cidadão. Pense nisso!

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