Os apelidos continuam...

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O título desta crônica é uma afirmação curiosa, digna de registro histórico, devendo ser estudada, de agora em diante, pelos escritores alegrenses. Curtir, comentar e compartilhar tornou-se uma ação intensa dos nativos do Alegre, usuários de smartphones, quando se depararam com o texto e o áudio da crônica “A cidade dos apelidos”, que fez sucesso e viralizou na web.

Recebi vários “whatsapp” de pessoas, com quem há muito não tinha contato, tudo girando em torno do “Você se esqueceu do apelido de fulano, de fulana”, assim me rendi e, comprometido em continuar com esse relato peculiar, resolvi apodar mais conterrâneos, que foram “esquecidos” em minhas crônicas anteriores.

Chegaram-me muitas contribuições exóticas, então percebi quanto o alegrense tem orgulho de sua terra, entre montanhas e cascatas. Um lugar rico em criar tipos folclóricos. Quem se lembra do craque de bola que foi o Sr. Moacir Vieira Gama? Talvez, os leitores mais jovens não saibam de quem se trata, pois no Alegre, poucos são conhecidos pelo nome. Tem que ter um cognome.

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Para quem não sabe ele foi o nosso “Mané Garrincha”. Não tinha as pernas tortas, mas entortou muitos zagueiros, sendo por isto, apelidado de Moacir “Capeta”. Esse alegrense de talento incomparável no futebol e que tinha medo de viajar de avião, em seus tempos de juventude deixou de jogar no Flamengo para se casar com a saudosa Dona Nilda, sua amada, no Alegre. “Velhos tempos, belos dias”.

Moacir é pai de um nobre militar que hoje trabalha na Comissão do Exército Brasileiro em Washington nos Estados Unidos. Oficial brilhante, poliglota, que serve ao Brasil e tem o orgulho de dizer que é alegrense da gema. Trata-se do meu amigo, coronel Maurício Gama, que recentemente, muito bem nos recebeu no solo estadunidense, e lá na “capital do mundo”, o nosso assunto não poderia ser outro, senão o querido Alegre.

Poucos sabem, mas o “Maurício do Moacir Capeta” foi aprovado, exemplar e simultaneamente, estudando no Alegre, em três vestibulares: medicina na UFES, engenharia na UNICAMP e na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), tendo aflorado em si, o senso do cívico patriotismo ao escolher as colunas do Exército de Caxias para servir ao povo brasileiro.

Opa! Preciso me endereçar novamente para a grande lista. Sim, uma antonomásia, de tamanho incomensurável, pois ser apodado nesta crônica, talvez seja um enorme prazer, visto que a revivência gera saudade e alegria, estimulando a vida na “Alegre cidade, cidade jardim, coração dentro de mim”.

O Alegre é um “cadinho” de etnias. Lá, pacificamente, convivem árabes, judeus, afrodescendentes, italianos, portugueses, espanhóis, suíços, franceses e alemães. Essa diversidade gerou grande riqueza cultural, nos hábitos e costumes locais.

Sim, os “esquecidos” agora serão lembrados. Eis mais algumas dezenas de apelidos que engrossarão a grande legião alegrense: Rosquinha, Zequita, Mirim, Cocotinha, Teso, Cabeçuda, Melancia, Garrafinha, Serrinha, Penhão, Cobrinha, Mongol, Traseiro, Onça, Marginal, Tia Bala, Cuecão, Fala Fina, Babão, Minguite, Nego Azul, Bambu, Cidinho, Quito, Da Muda, Franguinho, Rico, Jurinha, Zezé, Nininha, Maúcho, Barateiro, Pipoqueiro, Malandrinho, Benzinho, Mosca, Saburica, Saburicão, Cientista Louco, Juca, Dê, Jurubeba, Gordinho, Painho, Chacrinha, Taizinho, Lalinho, Biano, Japonês, Zezão, Lidinha, Penhoca, Bentuca, Xuxa, Broinha, Português, Espanhol, Italiano, Suíço, Santa Marta, Kiko, Manqueta, Garnizé, Bega, Buiú, Branco e Preto.

A obra sobre a lendária “Guerrilha do Caparaó”, premiada nacionalmente foi escrita pelo jornalista alegrense, José Caldas da Costa, que na cidade é conhecido pela apodadura de “Zanata”, o craque flamenguista e depois vascaíno na década de 70.

Assim, no Alegre, a sigla do antigo Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – passou a ser o apelido de um professor da então Escola Agrotécnica Federal, no Distrito de Rive, por sinal, uma acomodação linguística de Reeve, o engenheiro inglês que comandou a construção da Estrada de Ferro, inaugurada em 1912.

Enfim, desta vez, espero que ninguém tenha escapado. Será?

Júlio Cezar Costa é professor e coronel da reserva da PMES.

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