O preço da empatia

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Entre um texto e outro na Internet, desses que analisam comportamento, li esses dias um que falava sobre a empatia. As linhas diziam que era um desafio para muitos homens receber o carinho, a atenção, a amizade e o amor que uma mulher empática é capaz de dar. Nos comentários, muita gente concordando e achando que realmente tem muitas pessoas que não sabem lhe dar com a empatia, que se assustam com ela e que até desaparecem quando veem alguém carinhoso demais por perto… Parece estranho? Mas é mais comum do que a gente imagina.

E não falo isso só em relacionamentos. Até mesmo na amizade, compreender e se colocar no outro pode assustar e deixar você com a fama de ser alguém “falso” que ama demais, que parece ser compreensivo demais, que perdoa sempre. Isso me fez pensar tanto no quanto parece, às vezes, que nossa sociedade está vazia de amor, atenção, carinho. Por traumas, por costume e por vivermos na famosa comunidade dos interesses, onde o que se faz hoje precisa ser devolvido amanhã, muita gente sai correndo quando vê carinho, como aqueles gatinhos ou cachorros de rua, que estão tão acostumados a serem maltratados que, quando recebem um carinho ou uma comida de graça, saem correndo, agridem, suspeitam.

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O sorriso do outro é um presente para você?

Minha mãe me deu uma herança linda, algo que ela faz até hoje e eu admiro demais: a de presentear quem a gente ama sem querer nada em troca, a de ajudar quem precisa pelo simples fato de querer ajudar e não porque tal pessoa é mais ou menos importante. Inseri isso na minha vida com muito orgulho e carinho.

Como diz aquela música da oração de São Francisco, que tenho como lema de vida, “que eu possa mais amar que ser amada”. Você deve estar pensando, que por eu ser assim muita gente deve gostar de mim, certo? Errado, a empatia que herdei da minha mãe não é algo que agrada a maioria, as pessoas se assustam ou te rotulam como alguém “bobo demais, um perdedor que mendiga atenção”, quando na verdade não é atenção que a gente quer, o único desejo é o de fazer bem ao outro.

Quando uma pessoa olha com desprezo para um presente que eu dou, quando alguém que eu ajudei tanto no passado hoje nem me telefona, quando vejo pessoas que eram o oposto de mim ganhando o carinho e uma atenção que eu não tive, sabe o que eu sinto? Orgulho de ser eu. Para um empático a raiva não impera , porque nos colocamos no lugar do outro, tentamos entender, não julgar e, sobretudo, procuramos saber que muita gente não tem um histórico de carinho, muitas pessoas tem medo do amor e da gratuidade de favores.

Não estamos acostumados com a atenção e o carinho gratuitos

Nossa sociedade formou, não sem razão, pessoas que desconfiam. Pessoas que votam em quem as convence e, meses depois, veem esses mesmos candidatos roubarem seu dinheiro, desviarem verba pública de construção de hospital para fazer uma viagem de luxo. Muita gente fica acostumada a ter medo de alguém que seja um pouco mais gentil na rua, diante de tantos casos de abuso, de assalto.

Isso é preocupante. Uma sociedade que nega atenção, que nega carinho é uma sociedade ferida. Assim como acontece nos relacionamentos, quando a mulher é traída e fica com trauma de todos os homens que aparecem em sua frente, os brasileiros também precisam recuperar a credulidade no amor e na empatia sincera.

 

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