O povo está sempre anos luz na frente

COMPARTILHE
Há cinco mil anos que os chineses sabem que as palavras não dão conta da realidade. Do Tao, um conceito chinês, os chineses diziam que ele é indefinível.
31
Advertisement
Advertisement

Há cinco mil anos que os chineses sabem que as palavras não dão conta da realidade. Do Tao, um conceito chinês, os chineses diziam que ele é indefinível. O Tao do qual pode-se discorrer não é o próprio. A realidade é sempre mais rica e mais fantástica que a ficção, imagine normas burocráticas, esquemas classificatórios, organogramas, etc.

Continua depois da publicidade

Recentemente a Alemanha, aprovou uma lei que reconhece a existência de um terceiro sexo ou gênero. Além de macho e fêmea foi reconhecido a existência do hermafrodita ou andrógino. A rigor sexo é um conceito biológico. Gênero é um assunto mais delicado. O Facebook, em inglês, inovou e adotou 56 gêneros nos quais os usuários da rede social podem se enquadrar: “outro”, “nenhum”, “transgênero”, “pangênero”, “em dúvida”, “trans sexual”, etc. Hoje a sigla é LGBTQUIA+.

A burocracia racista brasileira dividia o povo brasileiro em “branco”, “negro” ou “pardo”. O movimento negro brasileiro quer, malandramente, considerar “pardos” e “negros” com sendo negros para dizer que o Brasil é um país “de maioria negra”. Uma jogada racista. Racismo reverso segundo Antônio Risério.

Na verdade, um mestiço não é negro nem branco. O mestiço é a NEGAÇÃO do negro e do branco. A miscigenação é o remédio mais eficaz contra o racismo. O apartheid brasileiro não é étnico e sim social.

O IBGE influenciado pelo pensamento racista inventou de perguntar ao povo brasileiro se ele era branco, negro ou pardo. Quebrou a cara! O IBGE descobriu que o povo brasileiro possui mais de CEM CORES DIFERENTES.

Eu pagaria para ter acesso a essa relação. Algumas cores do povo brasileiro a gente imagina: cor de jambo, canela, chocolate, marrom, sarará, “mulato craro” (João Ubaldo Ribeiro), moreno, bronzeado, negro, negro retinto, etc.

Creio ainda que isso vale não apenas para as tentativas de enquadramento da realidade em normas, esquemas, ou palavras, mas das instituições. Dividida a sociedade entre ricos e pobres, todas as instituições inclusive as repressivas sempre ficam para trás na tentativa de enquadrar a população. A polícia está sempre “correndo atrás do prejuízo”, os bandidos sempre inventam um novo golpe e a polícia vai seguindo o rastro dos marginais.

Fernando Carvalho é historiador formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e autor de “O Livro Negro do Açúcar”.

Advertisement

O conteúdo do AQUINOTICIAS.COM é protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não é permitida a sua reprodução total ou parcial sob pena de responder judicialmente nas formas da lei. Em caso de dúvidas, entre em contato: [email protected].