O pão ético de cada dia nos dai hoje...

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“ Nosso caráter é o resultado da nossa conduta. ” – Aristóteles

Em tempo de falcatruas políticas, mentiras por todos os lados, valores morais desconstruídos em que o comum é se dar bem ao custo de sabe-se-lá-quem, vou tocar num assunto pra lá de delicado: a tal ética.

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que regem a conduta humana na sociedade. Ela existe para que aja um equilíbrio, um bom funcionamento social que determine que ninguém saia prejudicado. Difícil, mas é possível. Para tanto a ética está relacionada com o sentimento de justiça social.

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Por ser construída em uma sociedade a partir de valores históricos e culturais ela difere de local para local. Por exemplo, na Coreia comer cachorro é normal, aqui em nosso país é inaceitável…

Quanto à ética profissional é, talvez, um pouco mais delicado. A definição nos diz que ética profissional é o conjunto de normas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta. Ter ética profissional é o indivíduo cumprir com todas as atividades da sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.

 

Vamos tentar trocar em miúdos e trazer para o universo de agências de propaganda (difícil missão…). Eu desconheço formalmente impresso e constituído, um termo com um conjunto de normas que geram um código de ética para minha profissão (se alguém tiver por favor me envie). Mas, no entanto, contudo e todavia, qualquer pessoa que sabe o que é certo e errado tem meio caminho andado para ter ética profissional.

Se eu sei que um cliente é atendido por uma agência de propaganda eu não posso, simplesmente na maior cara dura, chegar a esse cliente e “oferecer” meus préstimos profissionais e nem tão pouco denegrir a agência atual que o atende. A menos que o cliente demonstre certa insatisfação ou vontade de conhecer uma nova forma de trabalhar e queira trocar de agência. Bingo!

A dança das cadeiras e o troca-troca de clientes x agências são comuns e de certa forma (da forma certa) benéfica para o mercado. Mas é sacanagem explícita e falta de ética qualquer atitude diferente da exemplificada acima. Difamar o concorrente? Nem pensar…

Outro exemplo, se você é um cliente nunca, jamais, sob hipótese nenhuma peça um “arquivo aberto” para você mudar algumas coisinhas no trabalho da agência. Existe algo chamado direito autoral que nos preserva (graças a Deus). Ter um pouco de bom senso é sempre válido também. Afinal, será que você, cliente, pediria ao seu médico uma receita em branco, carimbada e assinada para escolher qual medicação vai comprar ou fazer umas mudanças no que foi prescrito?

Como bem dizia Aristóteles, milhares de anos atrás (o ser humano parece não ter mudado muito), se não existe caráter como pode haver ética? E, nesse caso, é algo que não se pode comprar.

 

Luciana é publicitária, designer, blogueira, artista plástica, artesã, escritora, mãe da Laura, imortal da Academia Cachoeirense de Letras – ACL, mulher do Leonardo e cisma em ser ética e sofre por querer ética e, muitas vezes, não ter.

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