O Mundo do Trabalho e seus Desafios

COMPARTILHE
233

Há muito não tenho traduzido meus pensamentos em palavras. Nesse período, o mundo do trabalho presenciou a maior crise da sua história. Uma tragédia anunciada, considerando a forma como as empresas estão sendo tratadas. A legislação onera os salários entre 61% a 83%. O empregador tem um ônus de até 53% sobre salários, e o empregado de 8% a 30% de encargos. Não estão considerados, nestes cálculos, os ônus indiretos para o empresário (como refeições, plano de saúde, equipamentos de segurança, vale transporte, menor aprendiz, portadores de necessidades especiais etc.).

Apesar de todo esse ônus, há décadas não há um investimento governamental importante em ciência e tecnologia; a educação, responsável por formar trabalhadores mais qualificados, é uma piores do mundo; a corrupção não permite que o governo utilize seus recursos para saúde, educação, segurança e transporte, e, consequentemente, transfere essas obrigações do estado para as empresas. Enfim, tudo o que o Estado não cumpre, transfere para a iniciativa privada.

Diante desse caos, e da crise avassaladora, surgiu a reforma trabalhista. Em um momento, em que todo esse conjunto de coisas produziu o maior número de desempregados da história recente do país. Contudo, a mesma classe que produziu esse cenário deprimente, criticou desarrazoadamente a Reforma. Intelectuais, políticos e sindicalistas que nunca empreenderam. Que, em sua maioria, optaram por construir suas vidas através de concursos públicos (estabilidade), campanhas políticas, ou agarrados a sindicatos. E antes que eu seja apedrejado, há excelentes sindicalistas. Minoria, é verdade! Nenhum desses críticos constituiu uma empresa, passou pela dificuldade de gerir pessoas e gerar resultados ao mesmo tempo, ser obrigado a inovar todos os dias para sobreviver à competitividade.

Continua depois da publicidade

Não viveu a triste experiência de ter contas para pagar e nenhum valor em caixa. Nenhum deles pensou e foi solidário aos 14 milhões de desempregados, em sua maioria mulheres; não vislumbrou que as regras trabalhistas em vigor eram de 1943; não quis entender que o Brasil é o País com o maior número de processos trabalhistas do mundo, além de ter a maior cobrança de impostos sobre o trabalho, não atrai investimentos que possam gerar novos empregos.

A reforma trabalhista não é a ideal, mas privilegiou o emprego, e consequentemente o trabalhador.

Não é boa para o reclamante, mas estes representam “apenas” 3% dos trabalhadores brasileiros. Empregados, empresas, sindicalistas, Juízes e Procuradores foram afetados pela Reforma. Entretanto, e mais uma vez, o governo não cedeu em nada.

Não fez sua parte, não eliminou a corrupção no Ministério do Trabalho, como também não reduziu sua fatia (de 61 a 83%) do salário do empregado. Mas o que esperar de um país, que mantém deputados federais condenados criminalmente exercendo o mandato. De dia no congresso, à noite na prisão ? Trabalhadores, sindicatos, associações de classe e empreendedores precisam se unir e pressionar por redução dos custos sobre o trabalho. Mais do que nunca, devem dar as mãos, pois se o custo que um trabalhador tem para a empresa não diminuir, se as obrigações acessórias do empregador não forem eliminadas, não teremos mais empresas e, portanto, não teremos mais emprego.

Não havendo mudanças rápidas, os desafios do mundo do trabalho serão intransponíveis.

Wéliton Róger Altoé, sócio do Escritório Altoé Advocare Advogados Associados. Especialista em Direito Tributário, Trabalhista e Previdenciário, Civil e Empresarial.

Publicidade