O LEVIATÃ E SUA NUDEZ NECESSÁRIA

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Uma estatal tem sido constantemente alvo de matérias de todas as mídias, não sem razão. Imagine uma empresa onde os discursos conflitam todo o tempo, onde a moderna administração proclamada pelos seus dirigentes é ao mesmo tempo sufocada pelos próprios. Instituição onde o empregado que denuncia arbitrariedades, assédios, abusos e outros desmandos sofre perda na hierarquia, perda financeira e é despachado para um “gulag” interno, e os autores pelos podres poderes investidos caem para os lados e mais adiante são até promovidos.

Dirigentes de todos os níveis que aparecem de forma negativa na mídia utilizam de suas costas largas para continuarem a passear livremente ignorados pelo conselho de ética. Grandes companheiros alçados da ignorância para a gestão da máquina, às pressas e sob normas alteradas que permitem o que se quer quando convém.

Figuras respeitadas somente em seu círculo apresentam braços por todos os lados, causando prejuízos financeiros ou de imagem pela total incompetência, sustentados em suas áreas de negócios por abnegados empregados que realmente sabem o que fazem e lutam a luta de guerrilha para impedir que causem mais estragos, e sabem que na sua ausência o quadro seria pior, muito pior.

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Empregados que se sujeitam a esculachos diários e humilhações as mais diversas por se recusarem a confundir o CPF das marionetes com o CNPJ da empresa onde escolheram trabalhar, acreditando que como todos os ciclos este também tem seu final. Sobrevivem vítimas do sequestro de suas identidades morais e não sabem disso.

Conscientes da necessidade da estatal em um país onde tudo está por ser construído, aceitam cada um à sua maneira aquele regime ainda herança do período troglodita onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. O jugo é tão pesado que muitos se anestesiam evitando o sofrimento, realizando suas tarefas e aguardando que o tempo faça a sua parte.

Sobre os verdugos de fontes diversas e obrigatoriamente colegas de trabalho, só a silenciosa torcida para que a verdade apareça e traga consequências. Que a pompa dos cargos e o brilho dos ternos e tailleurs seja somente poeira que os veste, e que o vento que lentamente chega seja suficiente para a nudez ser plena.

A nudez necessária para o fim dos cochichos e sussurros tementes ainda ouvidos aqui e ali, especialmente nos círculos percorridos pelos velhacos em suas trajetórias. Esses devidamente nominados merecem o escárnio e o degredo, porque aviltaram o que deveria ser nobre, se venderam e ainda se vendem (os ainda não citados acreditam que não são vistos) por absolutamente nada e tudo, o preço de suas almas.

Foram escolhas e não é o momento de diminuir a gravidade dos seus atos, mas de dar sequência e fortalecer as vozes que acusam, filtrando e expurgando aquelas cujos interesses são nada nobres, apenas canalhas inimigos tentando abrir espaços para suas tropas.

E se seu vizinho ou amigo for um desses nomes está mais do que na hora de tomar uma posição, sob pena da sua postura significar apoio e incentivo. Associar-se por omissão a cadáveres insepultos corromperá sua casa, seu nome e seu espírito. Não se iluda com o brilho da lâmina do justo carrasco, sua beleza continua mortal. O preço sempre será pago.

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