"O JUSTO GILMAR MENDES"

COMPARTILHE
Foto: José Cruz/Agência Brasil
75

“… só no Brasil altura do beliche e tamanho do armário geram discussões sobre trabalho escravo …”

Essa irônica frase partiu da larga boca do Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Aliás, o emblemático magistrado é um grande colecionador de polêmicas, principalmente, quando se trata do universo político. Entretanto, não são somente as suas marcantes e celeumáticas frases que ganham repercussão, muitas delas negativas, o comportamento do togado é outro motivo de grande discussão e revolta, um “belo” exemplo foi as suas mais de TRINTA ligações para o Senador Aécio Neves, durante o período de afastamento e recolhimento noturno domiciliar do parlamentar que responde a NOVE INQUÉRITOS no STF, todos provenientes da Operação Lava Jato.

Constitucionalmente, todo brasileiro tem o direito de expressar a sua livre opinião, embora tenhamos um judiciário nada simpático a liberdade de expressão. O próprio Gilmar Mendes processou a apresentadora Monica Iozzi, pelo fato desta externar sua indignação, quando o Ministro concedeu habeas corpus ao médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 58 estupros. No post de Monica estava escrito: “… se um ministro do Supremo Tribunal Federal faz isso, nem sei o que esperar…”. Na mesma postagem havia ainda a foto de Gilmar Mendes com a interrogação, “cúmplice?”

Continua depois da publicidade

É lógico que todo cidadão deve ter responsabilidade com suas palavras, expressões e postagens, pois tudo é prova quando sequer ou não provar um fato. Costumo dizer que tudo é possível na Justiça brasileira, até mesmo o alcance e a aplicação da justiça. Sim, essa irônica verdade é uma realidade que mancha o importante Poder Judiciário que, assim como as demais colunas da tripartida república, precisa de uma reforma orgânica e administrativa para formar e dar voz aos novos atores do Direito. Essa justiça chantagista e voltada para quem atende suas pirraças não combina e não se harmoniza, saudavelmente com nenhum sistema político e democrático.

Portanto, o Judiciário brasileiro como legítimo guardião da Constituição Federal e dos seus pétreos princípios precisa introspectar seus sisudos olhos para o seu intocável e próprio umbigo. Não adianta sustentar desproporcionalidades travestidas de justiça, matando formiga com tiro, coando mosquito e engolindo camelo, pois a justiça pode ser cega, porém, ela não é, e não pode ser tão indiferente e tão insensível. Por isso, a distância entre o “cidadão comum” e os imponentes escalões do Judiciário só aumentam a cada frase e observação de quem perdeu o olfato e o tato com os menos favorecidos. Essas assoberbadas e endereçadas bravatas deveriam ser punidas, assim como se pune quem ousa enfrentar os gigantes dos Poderes, e sem nenhuma distinção.

Enfim, não é só a altura do beliche e o tamanho do armário que deveriam ser motivos de debates e discussões, o abismo entre pessoas, realidades e vontades deveriam cobrir de vergonha “os grandões” da nação, a começar por aqueles que receberam a notória incumbência de viver e fazer a justiça.

Qual altura do beliche e qual o tamanho do armário? Talvez seja a mesma medição entre o arregalado mundo dos senhores e a apertada senzala dos escravos!

Gilmar, seja justo,

Publicidade