O ESPÍRITO POLÍTICO DAS CIDADES

COMPARTILHE
80
Advertisement
Advertisement

Nesses dias de grandes tensões sobre os rumos da democracia brasileira, um breve exercício analítico pode nos ajudar a entender o espírito político das cidades, especialmente em ano de eleições municipais.

Continua depois da publicidade

Desde o início da redemocratização, quando o governo militar modificou a legislação partidária e eleitoral, restabelecendo o pluripartidarismo, diferentes nomes ocuparam as cadeiras do executivo e do legislativo municipal. Contudo, a grande questão é: “quais desses nomes realmente representaram mudança ou renovação?”

Quando analisamos esse primeiro aspecto, checamos que não avançamos muito dentro do próprio processo de redemocratização, porque a democracia brasileira ainda é permeada por oligarquias, personalismo e outros instrumentos antidemocráticos que delimitam brutalmente toda articulação ou oferta de transformação.

Podemos fazer uma comparação entre as cidades de São Paulo/SP e Vila Velha/ES. Em São Paulo, desde 1983 tivemos treze prefeitos diferentes. Já em Vila Velha, no mesmo período, tivemos apenas cinco nomes que governaram a cidade (Vasco Alves 02 mandatos, Jorge Anders 02 mandatos, Max Filho 03 mandatos, Neucimar Fraga 01 mandato e Rodney Miranda 01 mandato). Outro fenômeno que nos chama atenção é a baixa rotatividade na Câmara de Vereadores da cidade Canela Verde, um grave sinal de repetição ou de imposição política.

Esses números não diferem muito das demais cidades brasileiras. Pouca rotatividade pode significar pouca participação popular ou democracia limitada. Muitos utilizam o estratégico clichê, afirmando que governo bom tem que continuar. Acontece que, governo bom é aquele que tonifica os caminhos da liberdade e suas forças democráticas. Toda insistência no poder precisa ser muito bem equacionada, para que o “Projeto Político” não seja substituído ou transformado em “Projeto de Poder”.

Essas são pequenas comparações que podem nos ajudar a fazer uma simples reflexão, na qual contrapomos o nosso grau de contentamento e o nosso nível de insatisfação. Lembrando que o “direito de repetir” também faz parte da democracia, porém, a mesma democracia estimula diferentes movimentos, um deles, a mudança.

Enfim, o espírito político das cidades é o mesmo espírito de cada cidadão que, por motivos diversos querem mudar, ou não.

Que o espírito político seja livre, assim como a democracia,

Weverton Santiago

PS: Vila Velha também teve Magno Pires (PT) como prefeito (1987/88). Naquele ocasião, o Mosquito “venceu” as eleições com 29.884 votos (23,5%), superando os 26.576 votos (20,9%) do candidato petista.

Outro fenômeno interessante daquele pleito foi o total de abstenções, votos nulos e brancos que juntos somaram 45,6%, quase a metade dos votos.

Obviamente, os votos de protestos foram desconsiderados e o mandato de Magno Pires ficou conhecido como “Tampão”, devido sua curta duração, um ano.

Advertisement

Ajude o bom jornalismo a nunca parar! Participe da campanha de assinaturas solidárias do AQUINOTICIAS.COM. Saiba mais.