Fantasma da greve da PM volta a amedrontar capixaba

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Três anos após a greve da Polícia Militar do Espírito Santo, que durou 21 dias, deixando o saldo de ao menos 219 mortos e R$ 2,4 bilhões em prejuízos para o comércio e indústria, o capixaba volta a temer que a cena se repita, o fantasma de 2017 ainda está muito presente.

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O governador Renato Casagrande (PSB) terá que ter muita sabedoria para lidar com o movimento que cobra recomposição salarial de 12% ao ano, até 2022, totalizando 36%, mais a reposição inflacionária.

Casagrande foi eleito com apoio dos servidores da área da segurança pública. Recordo-me que em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, ao entrevistar o socialista, o mesmo havia prometido analisar processo a processo e “as injustiças cometidas contra policiais”, fazendo a reversão daqueles que estivessem no âmbito administrativo.

O então candidato, quando questionado sobre a possibilidade de garantir um reajuste para os policiais, prometeu que manteria o diálogo permanente com os servidores do Estado.

Eleito, uma das primeiras ações de Renato foi enviar projeto para a Assembleia Legislativa garantindo anistia aos militares, que são proibidos de fazer greve, como prevê a Constituição Federal de 1988.

A anistia concedida por Casagrande foi muito criticada pelo ex-governador Paulo Hartung, que a classificou como “decisão política grave e irresponsável”. Hartung sempre defendeu que houve diálogo com as forças policiais, antes e durante a greve de 2017, mas que não havia dinheiro para conceder reajuste salarial.

Após 14 meses de governo, Casagrande enfrenta problema semelhante a de seu antecessor em torno de reajuste salarial. Os servidores, a maioria policiais militares e bombeiros militares, não se sentem representados por entidades sindicais que participaram de reunião na noite desta quinta-feira (13) com a cúpula do Governo do Estado.

Opositores do governo, inclusive deputados estaduais, inflamam o movimento para uma paralisação. Apesar de estar com as contas equilibradas, o Estado, jamais teria condições, ao menos é o que se diz no ambiente palaciano, de atender o pleito com uma recomposição que chegaria a 36%, fora a reposição inflacionária.

O secretário de Estado de Governo (SEG), Tyago Hoffmann, disse a um portal da capital que uma nova reunião está marcada para depois do carnaval, mas a Frente Unificada pela Valorização Salarial dos Policiais Militares, Policiais Civis e Bombeiros Militares não aceita um posicionamento em março e tem pressa. Eles exigem uma reunião com o Governo do Estado.

Na manifestação desta quinta-feira na capital, policiais gritavam que não teria carnaval. Hoje, Vitória amanheceu num clima de terror, com toque de recolher em vias importantes da cidade, tiros e vandalismo – a ação não tem ligação com o movimento da polícia. O governador promete uma ação mais intensa para reprimir a atuação dos criminosos.

Quem mora na capital teme que o pior possa acontecer no período noturno, quando começa o carnaval na cidade. Num clima de insatisfação de militares, a coisa poderá se agravar e há quem torça para isso!

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