NOSSAS CHAGAS SÃO CRÔNICAS!

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Em meio a ano de eleições, nos questionamos: Onde erramos?
Já são 30 anos da promulgação da Constituição da República. Uma geração de desmoralização da organização pública, aliada com doses abundantes de corrupção.
Paralelo a este cenário, uma inércia participativa da sociedade brasileira que incomodou e ainda reflete negativamente nos dias atuais. Pouco se fez, muito se viu!
Não adianta vir com o discurso pronto, de que a culpa se dá nas eleições; que defronte as urnas votamos mal… quando na realidade a cada dois anos, nos deparamos com uma máquina que revela a face de corruptos e corruptores, ou até mesmo, pessoas de bem que dentro em breve serão corrompidas por seus pares já experientes na arte de afanar o dinheiro público. Muitos votam consciente nos melhores candidatos, que após a eleição serão incorporados na sujeira, com raríssimas exceções.
A política ainda que necessária, é suja… já dizia meu avô!
Votamos em cordeiros, eleitos tornam-se os verdadeiros responsáveis pelo abatimento da nação. E todos nós sabemos desta realidade!
Eleitos, orientam o pedido de demissão voluntária dos professores da rede pública e aconselham a transferência para o segmento de ensino particular, na cara dura!
Eleitos, chamam aposentados de VAGABUNDOS, como FHC fez. Ora, são ex-trabalhadores, ex-contribuintes, ex-financiadores compulsórios da ruinosa e falida previdência estatal. Respeito é bom e todos nós gostamos e merecemos.
Eleitos, deixam seu filho falecer, seja por atendimento deficitário dos hospitais, seja pela falta de segurança nas ruas. Enquanto a corrupção existe desde o Brasil colônia com Dom João VI, prestigiando poucos e sucumbindo a maioria.
Não se trata de partidos políticos. Diante do poder, tudo muda, todos mudam. Ora… um torneiro mecânico mudou!
E não se atreva legar a solução somente na educação, trata-se de caráter também! Com firmeza e CARÁTER, não haverá sedução mesquinha, vício, perversão quando do momento de nos autorrepresentar no pós-eleição.
É mais do que educação… é qualidade personalíssima que há de ser suplantada em um mandato eletivo, do início ao fim, perseverando na honestidade e aguentando assim como Jesus aguentou as tentações propostas no caminho deste período pascal.
Ao contrário de Cristo… nossas chagas são crônicas!

Dr. Igor Fonseca é Advogado Pós Graduado em Direito e Processo do Trabalho

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