Nós somos fortes, mas poderíamos ser muito mais

COMPARTILHE
61

Fim de ano é aquela época que a gente fica mais sensível. Família reunida, bom jantar na mesa, presentes para as crianças. O sentimento de amor nos invade e de caridade também. Nos últimos dias tive uma experiência que me deu um “chacoalhão” e me fez pensar que, muitas vezes, os problemas que a gente coloca na cabeça como sendo os piores do mundo, não são nem 10 % do que os que muita gente sofre. Por isso, resolvi compartilhar por aqui e fazer eu e você refletirmos juntos.

“Comida com gosto de caseira e quentinha, quanto tempo não sinto esse gosto!”

Esse foi a frase que ouvi de um morador de rua ao receber um prato de alimento preparado com muito carinho por alguns voluntários. A carreira de jornalista é meio maluca. Um dia escrevemos sobre uma tragédia, em outro sobre uma alegria, na outra semana sobre um assunto que não consideramos tão importante assim… Mas acho que é essa adrenalina que me traz o encanto. Em uma dessas experiências fui acompanhar um grupo de mais de 60 voluntários que se organizam todos os meses para distribuir marmitex aos moradores de rua da cidade de São Paulo, principalmente àqueles que vivem debaixo de ponte. Lugares que eu passo e sempre tive receio de parar ou tentar conversar com alguém ali, mas acompanhada dos voluntários fiz isso.

Continua depois da publicidade

A reportagem era para um jornal do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, do qual sou jornalista voluntária há 6 anos. Lá aprendi e aprendo muita coisa, principalmente no assunto fé e caridade. E foi assim que aconteceu. A reportagem era muito simples, sem muitas entrevistas, pouca foto (quis respeitar o espaço e a imagem deles). E por ser assim, resolvi que iria colocar a mão na massa e também participar. Ajudei a colocar as marmitas na Kombi, entreguei água, banana,  panetone, sorri e conversei com quem estava por ali.

Da experiência de algumas horas que eu tive, a reflexão maior foi que de culpa. Culpa por tantas e tantas vezes eu, desanimada, negar a comida do meu prato, não dar valor para água filtrada que eu tenho todos os dias ou me negar a sorrir por um problema tão pequeno. As pessoas que moravam nas casinhas de madeira, se cobriam com saco preto, viviam sob o perigo das ruas, a maioria delas: sorria. Um sorriso que, talvez, eu nunca dei de maneira tão sincera. E eles não sorriam por nada que a gente considere grandioso. Eles estavam felizes porque tinham acabado de ganhar uma comida quentinha com gosto de caseira, um mini panetone, água “boa para beber” e uma banana. Eles se alegravam quando viam alguém se preocupando com eles, alguém parando para conversar com eles. E mesmo com toda aquela dificuldade, eles nem pensavam em desistir da vida.

Para pensar…

Esse é um Blog em que falo e comento um pouco mais sobre direito humanos, mas, de vez em quando também sinto vontade de falar as experiências interiores que me fazem refletir. Às vezes a gente sofre tanto por um problema que na hora parece ser tão gigantesco, que faz nossos olhos se fecharem para as coisas boas da vida que a gente não percebe. Muitos de nós temos comida caseira todo dia na mesa, água potável, um teto para morar.

A gente esquece de sorrir por isso, a gente pensa que a vida pode acabar por tanta coisa pequena e lá fora, no chão dos esquecidos, tem gente que não tem nada, mas jamais desistira de tudo. Se a época do Natal e do ano novo faz a gente refletir, o pensamento que anda norteando minha cabeça é de que eu sou forte, mas poderia ser muito mais.

 

Publicidade