NATAL: ESPERANÇA APESAR DAS CRISES

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O Natal, para os cristãos católicos, é mais que a comemoração do aniversário de Jesus. A memória celebrada refere-se a uma dimensão pouco notada em nossa cultura e até mesmo para a maioria daqueles que se dizem cristãos. Este tempo festivo comporta, em sua essência, o MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO DO VERBO, parte do núcleo central da fé cristã, ao lado dos mistérios da TRINDADE e da REDENÇÃO.

A doutrina da Encarnação refere-se no derramamento do Filho, pré-existente com o Pai, que assume as características da finitude humana. Indica o fato de que o Filho de Deus assumiu a natureza humana para realizar a salvação Nele. Indica que, no ventre da Mãe de Jesus, acontece a união admirável e singular da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa do Verbo.

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Qual a implicação desse fato neste ano marcado pela intolerância, problemas sociais, econômicos e conflitos diversos?  Qual a sua implicação para o nosso Estado do Espírito Santo?

Na sequência de um ano tão difícil para muitos no Brasil e fora dele, cheio de tanta ruptura e tanta dor, a pergunta mais urgente que surge é também muito simples: Existe alguma esperança?

A memória evocada pela ocasião da celebração do Natal nos aponta para uma esperança que transcende até a pior das circunstâncias. Jesus nasceu no caos para que Ele pudesse trazer a paz. Na Encarnação, o Filho perfeito de Deus entrou em nosso mundo em crise, dilacerado, para se tornar Emmanuel-Deus conosco.

É apropriado que as maiores questões trazidas pelas tragédias sejam respondidas na Encarnação. A memória do Natal nos ensina que nossa espera não é em vão. Ensina que, apesar de experimentarmos dias em que a escuridão parece muito forte e a esperança se sente muito longe, a Encarnação é a luz percorreu aquela escuridão e tornou-se nossa esperança viva (João 1, 5; 1, Pedro 1, 3). Por mais desesperada que seja a circunstância ou a profundidade da escuridão, nada é mais poderoso que a verdade: em Jesus, Deus veio para nós.

Enquanto aguardamos a libertação, lembremo-nos da chegada de Jesus. Embora tenhamos a tentação de nos desesperar, lembremos que o Verbo Encarnado é nossa esperança. E apesar de nos esforçarmos nesta vida, aguardamos ansiosamente o cumprimento de sua promessa que a fé nos afirma que não está longe (Apocalipse 22,20). Para aqueles que professam a fé cristã, não há uma esperança melhor do que isso.

Padre José Carlos Ferreira da Silva

Psicólogo, Jornalista, escritor e atualmente, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Amparo em Itapemirim, ES.

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