Seguir em Frente

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Momentos da verdade, uma expressão não sei se ainda utilizada que se refere ao contato com seu cliente, quando as decisões tomadas definem um relacionamento. Há uma outra, do inglês point of no return, traduzida livremente para o momento em que o caminho é somente para a frente e para o alto (quando o avião não tem opção que não seja decolar). A grosso modo as duas acabam por significar o mesmo se as trouxermos dos seus ambientes (negócios e aviação) para as nossas rotinas.

Tomamos decisões todo o tempo, e mesmo naquelas em que decidimos voltar atrás ainda assim se avança, não há um retorno ao estado de coisas anterior. Algo mudou e muda sempre, quer se queira ou não, porque alguém decidiu alguma coisa. Ignorar que essas decisões tem impacto sobre os outros e sobre si é dar aquele passo adiante sobre o vazio do abismo.

Essa ignorância é abundante e as quedas ocorrem todo o tempo, felizmente de forma metafórica, e aqueles que caem justificam os fatos, as consequências de suas decisões de preferência colocando como causa outros que não eles próprios. Exemplos não faltam. Do político corrupto reeleito por voto popular ao emprego detestado que te deixa doente e ao mesmo tempo acomodado a ponto de nele se aposentar. São escolhas com preços elevados que muitos se recusam a assumir.

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Dedos apontados são a regra.

Isso tudo é cansativo e exige paciência para ser superado, artigo raro mas necessário se quisermos mudar o estado atual das coisas nesse país chamado Brasil. Uma mudança geracional como os 40 anos bíblicos até a terra prometida, quando finalmente os que se acostumaram ao que havia antes não estavam mais no comando de nada, e os mais novos assumiram sem os vícios de outrora.

Um esquecer lento de como mandava quem podia e obedecia quem tinha juízo, com ajuda das instituições sérias porque comandadas por pessoas sérias. A velocidade aqui é inimiga, não se trata de sanduíche de balcão. Tratamos de um arranjo cultural de séculos alimentado continuamente que precisa ser destruído aos poucos, ponteira e marreta nos locais exatos para que não sobre pedra sobre pedra nem se construa em paralelo a terra do chapeleiro louco.

Abramos, portanto, caminho para que as novas gerações possam conquistar seu espaço com responsabilidade. Que possamos dirigir nossos esforços para segurar e reprimir e combater a velhaca política que cisma em permanecer, que façamos assim até que sua decadência moral seja tão intensa que se destrua sozinha por falência total de sua estrutura.

Toda iniciativa nesse sentido é um chamado, sabendo que agir para transformar essa realidade depende da consciência geracional, que exige desprendimento em favor daqueles que virão e que somente terão chances se agirmos agora e de forma coerente com nossos valores.

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