Lei da oferta e procura e a greve dos caminhoneiros!

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Quantidade, preço e disponibilidade. Tripé essencial para a lei da OFERTA E PROCURA, mecanismos que balizam as tendências da economia de mercado!

Na vivência de dias como estes, que entendemos a vulnerabilidade do mercado. No entanto, não é necessária a calamidade para que assimilemos que, da escassez, origina-se a alta dos preços dos produtos.

Tomemos como exemplo, questões pontuais e recentes, como a elevação dos preços do feijão (2016). No mesmo sentido, experimentamos transtornos equivalentes com o tomate (2013). Tratam-se de dois dos principais alimentos que compõem a cesta básica brasileira, que devido as baixas safras, motivadas por problemas climáticos, acabaram contribuindo com tais aumentos às épocas respectivas.

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Esta semana, com a greve dos caminhoneiros (ao meu ver, legítima e corajosa), muito se questiona quanto ao aumento dos produtos que já não se fazem presentes nas prateleiras dos supermercados, postos de combustíveis e demais necessidades humanas.

Nos noticiários de TV e nas redes sociais já há orientação no sentido de DENUNCIAR OS ESTABALECIMENTOS POR AUMENTOS ABRUPTOS DOS PRODUTOS. Alguns mais exaltados comparam comerciantes com políticos corruptos e assim caminha toda a insatisfação social, que apoia um segmento, e já apedreja outro.

No entanto, o radicalismo não reflete a realidade comercial. Ora vejamos… Comerciantes também estão inseguros com os próximos dias. Comerciantes possuem folha salarial a cumprir, independente se estão vendendo ou não. Comerciantes possuem impostos a pagar, e acredite se quiser, terá de ser cumprido a modo e tempo!

Lógico, que elevações absurdas como ocorreram pontualmente em alguns locais, fogem da razoabilidade, e estas sim, deverão ser repreendidas energicamente pelo PROCON e demais órgãos competentes. Mas daí a população maldizer o comerciante (seja pequeno ou dono de rede de supermercados, sem qualquer distinção neste artigo), pois aumentara 30% da batata, 25% do arroz, motivado pela incerteza da abertura de suas portas ao amanhecer, já se trata de irresponsabilidade!

Excluindo as questões de caráter econômico mais amplo, pertinentes aos domínios da macroeconomia, tal episódio salienta algo importante: a impossibilidade de suprir totalmente um universo de interessados em algum produto favorece a elevação do preço, já que a baixa disponibilidade de um artigo não costuma refrear o consumo, ao contrário, instiga o desejo por sua obtenção literalmente a QUALQUER CUSTO.

Assim, a lei da oferta e da procura pretende coordenar o humor do mercado mediante as escolhas de seu público em relação aos produtos e serviços oferecidos. De um lado, se acha a demanda, onde se concentram as necessidades individuais de consumo. Do outro, a oferta, representando as empresas e seus produtos ou serviços. Entre ambas emerge o mercado, lugar em que se acomoda o intercâmbio de interesses.

Se para reivindicar um direito, há de se suportar o ônus da escassez de insumos, não é justo e razoável demonizar outra categoria, pura e simplesmente pelos desmazelos de alguns, estes sim exploradores do caos.

Sendo assim, diante da sensibilidade na atual comoção pública, PRUDÊNCIA e MODERAÇÃO devem ser observadas.

Ah, e só mais um detalhe… Melhor correr e estocar mantimentos! A causa é nobre e vale o preço!

 

DR. IGOR FONSECA – Advogado. Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho.

 

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