Lágrimas poéticas estéticas frenéticas

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Passos largos no dia que mais chorou

Um abraço apertado

Para escrever o que queriam ler

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Deixou de ser um eu para ser um você

Palpitações compulsivas bombeavam a correria

Superficialmente veloz, sem tempo, sem tempo

Escrita bonita, caminho de ida, na fita, sem vida

O pingo do i foi uma lágrima salgada

Ande na linha, tenha métrica, tenha morada

Seja formal, seja racional, não seja preto

Seja normal

O som do verso não acompanhou a batida

Mentindo com os poemas

Vibrando em mil dilemas

Roubaram a voz, mas choraram nas lendas

Acorde! Levante! Corra! Morra!

Mas trabalhe bastante, incessante, cada instante

Conte os dias, conte as sílabas, conte  o numeral

Não seja preto

Seja normal

Chorou admirando a pichação urbana

No dia que correu, correu, correu

Uma parte hoje morreu

Escreveu atrás da poltrona do ônibus velho:

De parte em parte morro por inteiro

E dessa estranha euforia

Serei pobre com muito dinheiro

Não seja louco, eu sei, Não foi por mal

Não corra, Não seja preto

Seja normal

 

OZEIAS REAL (Poeta e aluno do curso de Letras do Ifes Venda Nova do Imigrante)

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