Jonas Nogueira: não se serve a dois senhores

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Arquivo Aqui Notícias/Pamela Koppe
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Vem de longe minha relação de amizade com Jonas Nogueira (PP), vice-prefeito de Cachoeiro. Bem antes de adentrar no mundo de Karl Marx e Vladimir Lenin, fui “Embaixadores do Rei” com ele, na Segunda Igreja Batista. Lá, pelas mãos do então pastor Luiz Jubrael, aprendemos juntos que não se serve a dois senhores. Pois bem, acho que devo rememorar este ensinamento a ele.

Os movimentos políticos de Jonas, que já vislumbra uma futura campanha de prefeito em 2020, contra, quem sabe o próprio prefeito Vitor Coelho (PSB), são absolutamente legítimos e devem, portanto, ser respeitados pelo governo municipal e pelos demais atores da política cachoeirense. Contudo isso requer um simples quesito: a coerência.

Não é coerente que o vice-prefeito seja opositor do próprio governo do qual deveria fazer parte mantendo-se dentro dele com os cargos que tem. Fazê-lo dessa forma é servir aos seus interesses políticos e ao mesmo tempo fingir que está servindo ao povo cachoeirense dentro da administração. Não se serve a ambos.

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Cabe melhor ao vice-prefeito, agora como opositor declarado do prefeito Vitor Coelho, que entregue os cargos do governo. Que peça aos amigos que os entreguem.

Jonas tem uma secretaria municipal: a de Desenvolvimento Econômico. E com ela naturalmente os cargos internos.  Deveria começar por ela. Pedir ao secretário para sair. Faria disso o primeiro gesto de coerência pública.

Aliás, essa secretaria merece um aparte. Trata-se de uma pasta da mais alta relevância porque, em uma cidade carente como Cachoeiro, a geração de empregos e desenvolvimento econômico, através de atração de novas empresas, deveria ser uma política perseguida à exaustão. Coisa que não vemos. A secretaria, com todo respeito que se deve ao secretário, não tem trabalho protagonista. O desempenho é frágil.

O segundo passo de Jonas deveria ser entregar o Procon. Apesar de não ser considerado secretaria, o órgão tem status de primeiro escalão devido ao poder de fogo que tem e o contato significativo com a população e suas demandas. Lá, justiça seja feita, o trabalho do coordenador é melhor, mas que também não justifica permanecer agora diante da gravidade do rompimento político do seu padrinho com o prefeito.

Então, olhando de maneira rápida e sem lupa, percebe-se que Jonas possa ter em torno de 20 cargos dentro da administração. Independente do número que seja, a coerência exige que ele entregue todos, assim terá plena liberdade, autonomia e condições de ser oposição ao governo sem que seja chamado por aí de oportunista.

Se o caminho do vice-prefeito é a carreira política solo e longe de Vitor Coelho, isso deve ser respeitado, desde que sejam respeitados também os interesses administrativos e o dinheiro público. Ter cargos apenas para ter salários, mas ao mesmo tempo trabalhar contra a administração, é atitude reprovada pelos ensinamentos cristãos que Jonas tem.

Pastor Jubrael, se por aqui estivesse, reprovaria. E o povo e a coerência reprovam também.

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“Lágrima é água, é como o sal / Que foi desse cristal / Que a vida começou no mar / Viver é tempestade e calmaria / Sofrendo a gente aprende a navegar / Um dia…” – Prisma Luminoso (Paulinho da Viola)

 

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