Iúna: um quartel carente de comando

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Nas eleições de 2016, quando Iúna apresentou um grande número de abstenções (4.339 pessoas – 20,57%), nascia um nome novo na política iunense: Coronel Weliton. 44,90% dos eleitores deram um recado nas urnas aos antigos políticos. Foi sim um voto de protesto e de esperança, já que existia a grande expectativa de que a Prefeitura deixasse de ser um instrumento de interesse para velhos grupos políticos do município, portanto, 6.969 pessoas disseram sim ao projeto “Mudança de Verdade”, encabeçada pelo Coronel Weliton e seu vice, o empresário Uledil Tiengo.

Logo no início do governo do coronel Weliton, o sentimento contagiou os iunenses, parecia que Iúna finalmente experimentaria um novo momento político, tempos de progresso e de desenvolvimento e, claro, de uma maior inclusão popular.

O tempo foi passando e a sensação de mudança foi aos poucos sendo substituída por apreensão em um curto espaço de tempo e a população foi percebendo que mais uma vez não conseguiu as mudanças prometidas na campanha eleitoral.

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O então prefeito, recém-eleito, Coronel Weliton, talvez, com a preocupação de se mostrar honesto e austero, não deu a mesma importância no processo administrativo, escolheu secretários de sua inteira confiança, apostando em colaboradores em sua maioria bem intencionados, porém, a maioria inexperiente e sem nenhum traquejo político. Para alguns formadores de opinião do município, as escolhas feitas pelo Coronel Weliton para o secretariado foram equivocadas, pois foram priorizadas amizades ao invés de competência profissional para os cargos assumidos pelos indicados.

Outro equívoco do prefeito, segundo esses mesmos formadores de opinião, foi a nomeação de ex-vereadores no cargo de primeiro e segundo escalões do governo, dando voz e espaço a políticos que foram reprovados nas urnas pelo próprio eleitor iunense. Outro fator de decepção tem sido a falta de diálogo com a sociedade e com as instituições representativas do município.

Durante a campanha, Coronel Weliton sempre dizia que se fosse eleito manteria um diálogo aberto com a comunidade e com as instituições. Durante uma entrevista à imprensa chegou a afirmar que o diálogo seria fundamental para a construção de um direcionamento de governo, que contemplasse a todos e não somente a um grupo ou a uma pessoa. Todavia, após assumir o governo, a primeira postura assumida junto à Câmara Municipal foi completamente oposta ao dito na entrevista e nos discursos proferidos em palanques, o que se viu foi uma liderança política completamente distante do Poder Legislativo, com um governo sem nenhuma articulação política com o parlamento iunense.

Acostumados a serem agraciados com cargos e outros benefícios proporcionados pelos governos municipais anteriores, e sem nenhum caminho de diálogo aberto pelo Poder Executivo, a relação Executivo x Legislativo logo azedou, e o que pior: virou uma guerra onde todos só perderam até agora, o prefeito, vereadores e própria população. Com as pautas travadas pelo Legislativo, Coronel Weliton tem se limitado a colocar a culpa nos vereadores e tem se eximido dos problemas causados pela falta do diálogo que tanto pregou nas eleições passadas.

Coronel Weliton tem mantido suas convicções, sem abrir mão de nada para as reivindicações dos vereadores. Com isso, o tema Prefeitura e Câmara tem sido a retórica da gestão, de um lado os adeptos do governo e do outro os vereadores, todos cegos e com verdades bem diferentes. Nessa briga sem fim a população tem sofrido. Com esse comportamento de ambos os lados, crises se acumulam no governo. A última foi na educação, onde o transporte escolar deixou centenas de crianças sem poder ir à escola, transformando em mídia negativa a má administração na educação do município.

A saúde do município continua ineficiente, e trazer a gestão do Hospital de Iúna para a esfera da administração municipal também foi um erro, segundo especialistas da área da saúde. O que muitos dos apoiadores do Coronel Weliton lamentam é o fato de que alguns secretários cometem erros absurdos e até infantis e o prefeito não toma nenhuma atitude junto aos seus comandados.

Muitos fazem os seguintes questionamentos: Por que da falta de atitude do prefeito? Por que ele não substitui os secretários que não estão tendo um bom desempenho? Onde está a autoridade do Coronel? Por que o prefeito anda tão ausente do município? Teria o prefeito Coronel Weliton se desmotivado do cargo mais importante do município? O que estaria acontecendo com o Coronel Weliton?

Os questionamentos são dos munícipes e de deputados estaduais e federais, que já não tem confiança em investir no município. Afinal, não sabem se quer se o prefeito vem para reeleição.

Com tanta desaprovação e decepção, só resta ao Coronel avaliar se realmente vai abandonar a administração de Iúna de uma forma melancólica ou mudará o seu comportamento junto à gestão, dando uma sobrevida ao governo que hoje respira por aparelhos.

“O prefeito Coronel Weliton tem todo o direito de não querer mais administrar o município, mas ele precisa saber que está tornando o meu sonho de uma gestão diferente e de desenvolvimento em um grande pesadelo”, afirma um dos grandes apoiadores na campanha que elegeu o prefeito.

“Coronel precisa acertar sua gestão rapidamente, pois ele é a grande esperança do povo iunense e de outras novas lideranças regionais, que viam nele o grande exemplo para ser dado nas próximas eleições na região do Caparaó”, afirma um deputado aliado.

Enfim, o tempo está curto, mas ainda é possível virar o jogo. O que o prefeito Coronel Weliton precisa é tomar as rédeas do seu governo e mostrar para todos os iunenses e autoridades do Estado quem realmente comanda o quartel de Iúna.

Honestidade e autoridade sem dúvida são duas qualidades imprescindíveis no homem público de hoje, mas autoridade e boa gestão são qualidades muito importantes nos dias atuais. A responsabilidade do prefeito Coronel Weliton não é só com Iúna, mas com toda a região que aguarda ansiosa o resultado de sua gestão, motivando outros novos políticos nas eleições municipais que estão por vir.

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