Inflação – problemas globais (parte 1)

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O fantasma da inflação tem assombrado constantemente os consumidores brasileiros, mas você parou para pensar no porquê de os preços estarem aumentando constantemente? Na coluna de hoje tentarei responder essa pergunta, embora nem mesmo eu saiba a resposta exata.

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Apenas para contextualizar o leitor, a forma mais comum de definir o conceito de inflação é pelo aumento médio dos preços, o inverso (deflação) também é verdade. Principalmente durante a década de 1980, o Brasil presenciou uma das maiores hiperinflações da história mundial, demoramos quase duas décadas para resolver esse problema com o Plano Real e gozamos de alguma estabilidade monetária, porém, agora vivemos em tempos diferentes.

Em decorrência das medidas de contenção à covid-19, muitas mercadorias passaram a ficar encalhadas nos portos de todo o mundo, as cadeias logísticas simplesmente pararam de funcionar. Ou seja, com a diminuição da oferta e a demanda constante, os preços subiram, inclusive o das commodities (petróleo, arroz, soja, milho e etc). Para os colegas que adoram criticar a globalização, esse é o principal problema de interromper o comércio entre os países: tudo fica mais caro.

Para conter os efeitos devastadores do vírus e garantir liquidez do sistema, grande parte dos Bancos Centrais optaram por derrubar as taxas básicas de juros a níveis historicamente baixos. Em alguns países europeus, ou até mesmo no Japão, emprestar dinheiro ao governo implicava literalmente perder dinheiro no longo prazo, pois os juros estavam negativos. O Brasil também embarcou nessa onda, a SELIC bateu 2% e posteriormente teve que ser aumentada às pressas para conter a inflação.  Essa derrubada dos juros mundiais foi mais um ingrediente perfeito para aumentar a inflação mundial, afinal, quanto mais dinheiro circulando para a mesma quantidade de bens e serviços, os preços desses últimos subirão para dar conta do recado.

E, para completar, neste ano tivemos o início da guerra na Ucrânia, que fez o preço do petróleo subir exponencialmente e atingir valores recordes. Com a disparada do combustível, espera-se que tudo fique mais caro pela relação lógica. Mas o Brasil não é autossuficiente em petróleo? Sinto informar ao leitor, mas não somos, precisamos importar petróleo fino (produzimos o pesado) todo dia para que não falte combustível nos postos de gasolina. Logo, tabelar o preço apenas traria quebradeira nas importadoras, prejuízos à Petrobras, além de causar escassez interna do produto, uma vez que as nações passam por dificuldade na compra de energia fóssil.

Ao se tratar da inflação brasileira, finalmente o país passou a figurar nas primeiras posições de algum ranking recentemente, contudo, dessa vez não é uma notícia boa. De acordo com o painel do FMI (2022) o aumento de preços, em 2022, será cerca de 8,20% (um dos maiores ao compararmos com outras partes do globo), já no acumulado dos 12 meses passados, feito pelo IBGE (2022), obtivemos 12,13%.

Nesta análise foquei nos fatores internacionais e desconsiderei os internos, em outra ocasião explorarei com mais afinco essas variáveis. O importante é sabermos, que, independentemente do cenário nacional, ainda presenciaríamos inflação mais alta do que o normal, ainda que o governo pudesse amenizá-la caso fosse mais rígido na política fiscal e monetária.

Rafael Altoé é mestrando em Administração pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e apaixonado por Economia. 

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