Incoerência em tempos de pandemia: quando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário reduzirão os próprios salários?

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A corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco. Esse ditado antigo diz muito sobre a situação em que vivemos. As equipes do governo estadual e de vários municípios capixabas, sem uma coerência entre o que dizem e o que fazem, oferecem ao cidadão uma mensagem truncada: “todos apertam os cintos, nós não”.

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Hoje li que os vereadores de Vitória, alguns ao menos, estão propondo o corte de salários total de seus 15 parlamentares enquanto durar a pandemia. Populista ou não, essa medida ao menos dá o recado certo à população que, ou está perdendo seus empregos ou está com o caixa zerado por conta do fechamento do comércio.

Meu questionamento nos últimos dias é: afinal, todos estamos fazendo das tripas coração para manter nossos empregos (mesmo que isso signifique negociar com o patrão e até ganhar menos), ou para manter nossos funcionários com salários em dia (mesmo que signifique negociar com o empregado e ter de pagar menos).

E o Executivo, o Legislativo e o Judiciário vão entender que eles é que precisam apertar o cinto e reduzir os gastos públicos de todas as formas (mesmo que isso signifique cortar da própria carne, reduzindo os salários do alto escalão)?

Quando isso vai acontecer? Estamos esperando… 

Onde está a coerência de pedir a colaboração da população e empresas quando um secretário de Estado leva, todos os meses, mais de R$ 10 mil, R$ 15 mil para casa. Ou quando um juiz ou desembargador embolsa R$ 40 mil, R$ 50 mil a cada 30 dias, mais as benesses? Ou quando o Legislativo aprova aumento salarial em meio à maior crise de saúde dos últimos 100 anos? Onde está a lógica disso?

Estamos todos no mesmo barco ou o “ninguém solta a mão de ninguém” só serve para tempos de paz?

Um exemplo: há uns bons anos, em Venda Nova do Imigrante, surgiu a ideia de que o Legislativo trabalhasse de forma voluntária. Afinal, não é um serviço de tempo integral e a maioria do vereadores ainda mantém seus serviços normais. Foi à frente? Claro que não. Imagine. Isso não vinga em lugar algum, em Estado algum, em município algum. Em poder algum. É quase utopia.

A corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco. E o elo mais fraco não é a população, que está dando conta do recado, mesmo com tantos revezes, tantas dores. O elo mais fraco é essa falta de coerência que toma conta dos poderes. Cortem na própria carne. Aí sim daremos as mãos.

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