Imperativo Biológico

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O termo normalmente é associado à sobrevivência e reprodução das espécies, ou seja, forças agindo para que se garanta sua perpetuação. De forma prática, a razão de peixes subirem rios ou aves migrarem, a existência de tantas diferenças na mesma espécie dependendo de onde vivem ou o comportamento do macho ou da fêmea (e também sua aparência) para garantirem o acasalamento.

O imperativo biológico também é presente nas explicações sobre características físicas de homens e mulheres que justificam a atração inicial, tudo pelo darwinismo da aposta em gerações futuras mais saudáveis e evoluídas, uma adaptação ao meio com a finalidade de garantir a perpetuação. O fato de todos sabermos que a morte virá em nada afeta essa força, porque são os genes que a provocam para que eles continuem existindo nas gerações seguintes.

É quase como se fôssemos meros recipientes onde o comando se dá pela genética. Por influência dessa força biológica também são abraçados comportamentos violentos, de fuga, da mentira, do sorriso e diversos outros, ligados quase diretamente no que a pessoa percebe como necessário para sobreviver. Uma programação que atravessou milênios e que continua presente, contestada ultimamente em várias esferas através de exemplos, como a decisão de um casal de não gerar filhos.

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A pergunta que faço é até onde vai essa força que nos controla? Em quais outros aspectos das nossas vidas agimos (chamamos fácil e falsamente de instinto) sem saber o motivo do que fazemos? São reações e ações que surgem naturalmente, não importando a cultura ou lugar, se homem ou mulher. Teria o imperativo biológico irmãos ainda escondidos que se revelam ao longo dos tempos?

Imperativo moral, social ou ainda o mesmo biológico atuando em outras frentes para reunir ainda mais forças em sua missão? Quando assumimos enquanto sociedade certos valores que não devem ser atacados estamos a serviço dos nossos genes ou do coletivo? Afinal, porque refutamos tantos comportamentos diferentes e com tanta veemência, algumas vezes sob justificativas (essas do consciente que racionaliza o ato e tenta justificá-lo) até mesmo não físicas?

Por outro lado, quais os motivos que nos empurram a não aceitar que um ato violento seja originado única e exclusivamente da pessoa que o praticou, atribuindo a terceiros a sua responsabilidade e, por conseguinte, até mesmo gerando certa empatia pelo seu autor? Criminosos assassinos não são um risco à sobrevivência e em função disso não deveriam ser excluídos totalmente do convívio? O imperativo biológico nestes casos deixa de agir ou tem um plano oculto? A pena de morte antes tão comum e natural é hoje tão combatida e negada contrariando o imperativo e cedendo ao coletivo?

A sociedade, esse coletivo em sua evolução contínua de enfraquecimento dos imperativos biológicos, poderia ser o próprio imperativo em uma escalada ao recomeçar do novo zero? No humor, seria o famoso “vamos voltar que deu m…”?

As crueldades e anomalias comportamentais (corrupção em escala jamais registrada na história, para ficar em um só exemplo) humanas das últimas décadas são sinais de alerta? Confesso que acredito na força da vida sobre as demais forças, seja em qual forma for, e que subsiste por conta do imperativo biológico. Também confesso que diante de tudo o que acontece não faço a mínima ideia de como se dará sua perpetuação. O caminho que vejo, por enquanto, não oferece otimismo ou esperança, talvez apenas sombras da nossa biologia.

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