GESTÃO DA SINGULARIDADE

COMPARTILHE
34

Muito se discute a gestão pública de forma abrangente e com temas caronais. Ou seja, primariamente não se discute a gestão com temas individualizados e com a devida prioridade. Nada contra os debates abrangentes, porém precisamos identificar o singular caminho para depois seguir os caminhos plurais. Isto é gestão da singularidade, onde o gestor público dá atenção especial aos detalhes essenciais na prestação do serviço a população.

Primeiro é preciso respeitar e conhecer os números. Segundo, a partir deste necessário conhecimento começar a construir soluções de curto, médio e longo prazo, sem essa inicial hierarquia não tem como almejar sucesso no quesito gestão, e gestão eficiente. Essa postura exige tempo (transição, estudo e investimento), sério planejamento e integral dedicação, porque o seu desenvolvimento precisa seguir a simetria da solução, ainda que esta sofra com as dolorosas transformações no seu eixo transitório e conclusivo.

Com a gestão da singularidade podemos identificar a macro e a micro complexidade, desde um pequeno serviço que deixou de ser prestado até as consideradas barreiras intransponíveis de um grande projeto. Com isso, não importa o tamanho do problema, o que realmente importa é o seu positivo e definitivo ou não resultado. Um exemplo cristalino está nas parcerias entre os entes públicos, onde muitos municípios por não cuidar da singularidade devolvem recursos ao Estado e a União. Faltou projeto? Não, faltou cuidar da singularidade, faltou planejamento verdadeiro na sua execução e faltou ligar os pontos dos detalhes primordiais.
Esse acabamento é tão essencial como a base de uma casa e ele não pode ser ignorado, sob pena do “recomeço”, o grande atraso administrativo.

Continua depois da publicidade

Agora a gestão da singularidade tem uma grande aliada, a política preventiva. Enquanto a gerência dos detalhes é executada, por meio da sua sensível leitura e interpretação social a política preventiva abre novos horizontes, precavendo-se dos riscos econômicos e dos imprevisíveis eventos sociais. Ao mesmo tempo, surgem e surgirão outros desafios, os quais serão administrados cuidadosamente, sem aventuras e sem o populista achismo político. A gestão da singularidade nos leva a conhecer a pessoa e as pessoas, nos ajuda a descobrir novos potenciais e estimula o gestor público a “se” atualizar, caso contrário, ele mesmo não “se” conhecerá e não terá a mínima ciência dos obstáculos do hoje e do amanhã.

Enfim, no meio desse bê-a-bá gerencial, podemos perder para o básico e gastar energia com o óbvio, caso não tenhamos a exata preocupação com os pequenos detalhes e com a deflagrada singularidade!

Gestão da singularidade, uma matéria esquecida nos porões da requintada e assoberbada gestão pública. Voltemos aos primórdios,

Weverton Santiago

Publicidade