Força do Despreparo e da Ignorância

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A retração de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre do ano, quando comparado com o último trimestre do ano passado, é uma demonstração inequívoca dos graves problemas que abatem a nossa economia. O maior deles é o descontrole das contas públicas, em razão de um déficit primário que vem se arrastando desde o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), quando o dinheiro arrecadado passou a ser insuficiente para cobrir as despesas do governo. Por isto, não sobra um único centavo para o pagamento de juros. E a dívida é sempre crescente, acumulando juros sobre juros.

A questão é que o Brasil gastou muito além do que podia com políticas populistas. Obras mal planejadas, para atender interesses dos mais variados grupos; criações de dezenas de estatais e aumento considerável no tamanho do Estado; empréstimos subsidiados a países e empresários “amigos”, entre tantas outras mazelas e privilégios. Parecia que o dinheiro público não teria limites. Paralelamente, medidas essenciais, como a reforma da Previdência, foram sendo negligenciadas, embora todos soubessem que o atual modelo há muito é insustentável, por inúmeros fatores.

Entretanto, não faltaram avisos de que o país quebraria. Aqui mesmo nesta coluna foram publicados muitos artigos neste sentido, desde 2010, em consonância com o pensamento de importantes articulistas da grande imprensa nacional. Mas tudo parecia andar às mil maravilhas, mesmo diante de indicadores desfavoráveis. É bom lembrar que a euforia foi tanta durante o governo do ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) que a oposição chegou a ser quase completamente dizimada.

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Hoje a maior parcela da conta ficou para o segmento privado, com mais de 13 milhões de desempregados. O setor que mais sofre é o da indústria, que em quatro anos chegou a encolher 12,5%, conforme Pesquisa Industrial Anual (PIA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta semana. Nossa indústria vem perdendo em eficiência e produtividade. Ao final dos anos 70 e início dos anos 80 chegamos a ter uma das indústrias mais eficientes e prósperas do mundo. Não obstante, nossos governos conseguiram desmantelar tudo isso.

A pesquisa do IBGE também revela que em 2014 havia no Brasil 333,7 mil empresas no ramo industrial. Em 2017 este número diminuiu para 318,4 mil. Portanto, houve uma diminuição de 15,3 mil unidades industriais, o que equivale a 4,8%, o que afetou todas as regiões brasileiras, com reflexo direto na quantidade e na qualidade dos empregos. O IBGE ainda revela que este fenômeno vem ocorrendo desde o ano de 2013. Infelizmente não é só na indústria, pois o mesmo vem acontecendo em setores que tradicionalmente sempre geraram muito emprego, como no comércio e serviços.

Pode-se dizer que a reforma da Previdência poderá melhorar um pouco o quadro atual da indústria. Mas, em curto prazo, não resolverá questões essenciais como a da produtividade e da necessidade de modernização de nosso parque industrial. Contudo, para nosso alento, o ministro da Economia, o doutor Paulo Guedes, tem como meta colocar o Brasil de volta entre os 50 países de melhor produtividade. Atualmente estamos na rabeira do mundo. Então, basta esperar que os políticos não continuem a atrapalhar o Brasil.

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