Feminicídio: dados preocupam e fazem o Dia da Mulher ser de luto e luta

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Hoje em todo mundo se comemora o Dia Internacional da Mulher. Na verdade, não é bem uma comemoração, mas, sim, uma data de atenção. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 com o objetivo de relembra e enaltecer a importância da luta sociais, políticas e econômicas das mulheres. Mas essa luta começou bem antes, em 1908 mulheres norte-americanas organizaram um protesto chamado Dia da Mulher e saíram às ruas para pedir por, principalmente, direitos trabalhistas mais justos. Neste mesmo dia no ano passado, falei por aqui sobre a disparidade dos nossos salários em comparação com o salário masculino – para a mesma função – e outros absurdos que devem, sempre, ser lembrados. Mas, este ano escolhi falar de outra luta diária de milhares de mulheres: a luta contra a violência.

Vozes que se calam

Você já deve ter ouvido falar em feminicídio um assunto que, infelizmente, está cada vez mais recorrente nos jornais. Para quem não sabe, feminicídio é um termo que se usa para classificar os assassinatos cometidos contra mulheres, em razão de gênero. Entre 2017 e 2018, os crimes de feminicídio dobraram no país. Só nesta semana da mulher, como lembra a Agência Brasil, foram alguns: Thais de Andrade assassinada em Borborema (SP), após ser estrangulada por seu namorado última terça-feira (5/03); Maria Edjane, de Barra Mansa (RJ) foi espancada, grávida, na última segunda-feira (4/03) até a morte e Isabella Vieira Miranda, de Franco da Rocha (SP), morreu na quinta-feira (7/03), após ser estuprada pelo cunhado e queimada viva pelo marido.

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E esses não são casos isolados, todos os dias o número 180 (de denúncia para abusos e crimes) recebe denúncias de mulheres com medo do que seus maridos possam fazer, mulheres que se sentem frágeis e enganadas. Casos de violência que podem não chegar ao extremo da morte, mas podem gerar depressões com agressões verbais recorrentes, medos e traumas. Mudar tudo isso é difícil, mas não impossível. Se olharmos para trás já demos um grande passo neste sentido. Hoje a violência contra mulher é crime, assegurado pela Lei Maria da Penha. E, mesmo em uma sociedade em que muitas mulheres têm medo de denunciar seu agressor, muitas outras já conseguem falar abertamente de abusos. Cabe a nós encorajarmos sempre para que as que não têm coragem se sintam seguras e saibam que nenhuma mulher merece estar em relacionamento abusivo, onde a culpa parece ser sempre dela.

E, claro, cabe ao governo tomar medidas sérias que deem enfoque a políticas públicas de segurança para mulher e também evitar discursos separatistas e preconceituosos, que chegam das próprias autoridades.

Feliz Dia das Mulheres a todas que lutam todos os dias por seus direitos e as que ainda vão tomar a consciência do quanto é importante lutar e se juntarão a nós. Menos rosas, mais respeito!

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