Fabinho e a glória

COMPARTILHE
Fabinho
103
Advertisement
Advertisement

Conheci bem o Fabinho Glória, desde seu primeiro mandato como vereador, ainda na gestão do penúltimo mandato de Theodorico de Assis Ferraço. Irrequieto, astuto e ousado, o vereador estava sempre envolvido em polêmicas. Como político, podemos dizer que era bipolar.

Continua depois da publicidade

Ao fim do primeiro mandato, pelo fato de fazer oposição ao Ferraço, chegou a ser cotado para uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas não obteve êxito. Envolveu-se em tiroteio no litoral, foi investigado, pressionado, mas não deixava barato. Falava o que queria e o que não queria. Enfim, não era fácil o Fabinho.

Tenho comigo que quando alguém deixa a vida terrena, o que deve ficar registrado é aquilo que fez de bom. E nesse quesito posso garantir que teve seus méritos. Sua popularidade, influência e número de votos para vereador, quando Roberto Valadão ganhou seu segundo mandato, o credenciaram para o posto de secretário municipal de Segurança Pública.

Era um período político conturbado em Cachoeiro e a escolha de Fabinho para o cargo gerou pressão de tudo quanto é lado sobre o prefeito, inclusive vindo da capital. O comportamento do vereador, suas críticas ao governo do Estado (leia-se Paulo Hartung), e problemas com a Polícia Militar e o Ministério Público colocavam em cheque o Fabinho secretário.

Era desafiador, armou a Guarda Municipal (GM) quando esta não tinha permissão para tal. Fazia exibições pirotécnicas no centro da cidade, com simulações de sequestro, de confrontos com bandidos, e outras, sempre sob o olhar atônito do Executivo e de admiração da população.

Ou o sujeito gostava dele ou o repugnava, não havia meio termo. Ao seu favor, tinha o trabalho de resultado. Implacável com a bandidagem no centro da cidade, não permitia punguista, prostituição ou drogados circulando por aqui. Reza a lenda que pegava os meliantes e soltava pra lá de Duas Barras, sem lenço e sem documento.

O fato, esse sim inconteste, malgrado os métodos, é que os índices de violência na região central da cidade despencaram. Era uma espécie de “Kojak que metia bronca na moçada”. Por conta disso, teve contra si a ojeriza dos adversários políticos e da própria corporação da PM, com quem a GM vivia às turras.

Por outro lado, era aplaudido pelo cidadão comum que queria sair de casa sem ser molestado pela bandidagem. Mais ou menos o que vivemos hoje. Esse era o Fabinho que conheci e com quem sorvi algumas cervejas no cair das tardes modorrentas de Cachoeiro. Vai com Deus, e sossega o facho nesse outro plano astral, companheiro.

Até!

Advertisement

O conteúdo do AQUINOTICIAS.COM é protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não é permitida a sua reprodução total ou parcial sob pena de responder judicialmente nas formas da lei. Em caso de dúvidas, entre em contato: [email protected].