ESTÁ SEGURANDO QUATRO BOLAS DE BOLICHE NO PESCOÇO E NEM SABE...

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Lembro de ter meu primeiro celular lá em 2003, ganhado do meu pai. Um daqueles “tijolões” de quando tais dispositivos começaram a se popularizar, tanto em uso quanto em valores para aquisição.

Hoje em dia é um item quase indispensável. Segundo a GSMA, órgão comercial que representa os interesses das operadores de telefonia móvel em todo o mundo, o número de celulares em 2017 chegou a 5 bilhões ao redor do globo. Isso significa que aproximadamente 65% da população mundial conta com um aparelho, considerando a estimativa de 7,7 bilhões de pessoas viventes na Terra.

Trazendo para a nossa realidade de Brasil, a Fundação Getúlio Vargas indicou que em maio de 2018 teriam 306 milhões de dispositivos portáteis em uso no país. Isso significa mais de um por habitante!

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Cada vez mais vêm se tornando indispensáveis tais dispositivos, pois tornaram-se ferramentas de trabalho, interação social, entretenimento, finanças etc.

E neste tocante nos convém reconhecer potenciais prejuízos do seu uso. E aqui trataremos hoje dos potenciais prejuízos físicos que o mau uso de nossos queridos celulares e afins podem nos trazer.

Habitualmente usamos tais dispositivos em posição inferior aos nossos olhos, fazendo com que inclinemos a cabeça para baixo a fim de visualizar sua tela. Mas isso tem um custo: sobrecarga de ossos e músculos da nuca, que precisam segurar a cabeça contra a gravidade numa posição que não é a habitual.

Nós humanos somos seres bípedes (que se sustentam sobre dois pés) e, portanto, nossa posição adequada de cabeça é ereta, com ela repousando sopre o pescoço de forma que seu peso seja distribuído pela coluna, que age como amortecedor. E nesta posição adequada nossos músculos do pescoço só precisam equilibrar a cabeça.

Porém quando a inclinamos – como no caso do uso de celular abaixo da linha da visão -, estes mesmos músculos precisam trabalhar com muito mais intensidade, evitando que a cabeça literalmente caia. E aí, considerando que em média a cabeça humana pesa 5 Kg, quanto mais inclinada mais pesada ela fica para esses músculos a sustentarem. Com o pescoço inclinado a 60°, o peso da cabeça sobre a coluna chega a algo em torno de 27 kg. Isso equivale ao peso de quatro bolas de boliche amarradas no pescoço de um usuário de celular, tablet, notebook e afins!

Além disso, em longo prazo, além de tensões e dores de cabeça e pescoço, pode haver um desgaste da coluna, com possíveis degenerações ósseas e articulares, podendo se tornar até caso de cirurgia.

E então o que fazer? Algumas dicas para prevenção destes problemas vêm da disciplina no uso dos aparelhos, buscando colocar o dispositivo mais próximo da altura dos olhos ao o visualizar, bem como checar com menos frequência e por menor tempo. Pelo bem de noso querido pescocinho, não cheque mensagens toda hora que chegar uma nova nem passe muito tempo passeando pelo feed do Facebook ou Instagram…

Em caso de já sofrer com tais dores, tensões ou sensações diferentes como dormência ou formigamento em pescoço ou braços, procure um ortopedista ou fisioterapeuta para logo checar qual o exato problema e conduzir a terapêutica adequada. E, mesmo se tratando, por fim será sempre necessário a mudança de hábitos: melhor postura e moderação no uso dos queridinhos aparelhos.

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