Eleição Antecipada

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Crédito: Wikimedia Commons - Isac Nóbrega/PR /Agência Brasil - Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro – RJ, atual vereador pelo partido Democratas, o economista Cesar Maia, em entrevista concedida nesta semana ao jornal “O Estado de São Paulo”, disse considerar que a indicação do ministro Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal (STF) é o “primeiro movimento da sucessão presidencial de 2022”. Isto porque, segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) “precisa tirar da frente aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro”. Portanto, por sua ótica, o atual ministro da Justiça e Segurança Pública seria uma ameaça às pretensões do atual presidente.

A entrevista do vereador Cesar Maia faz lembrar o que disse há pouco tempo o deputado Paulinho da Força – SP, líder do partido Solidariedade e da Força Sindical, quando afirmou que o Centrão pretende aprovar uma reforma da Previdência “desidratada”, para não garantir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Então, por ambas as vias a eleição presidencial já teria começado com a disputa explícita, que vai além dos bastidores. Os problemas econômicos e sociais nacionais, consecutivamente, estariam em segundo plano, na dependência do próximo pleito.

É de surpreender o uso da política para fins tão mesquinhos e em nada nobre de enfraquecer o atual governo virando as costas aos nossos maiores problemas, tal como o desemprego. Deve-se considerar que o presidente Jair Bolsonaro mal completou o seu quinto mês de governo. Outra questão, e a mais importante, é que para um segundo mandato o presidente terá que realizar um bom trabalho, pois senão será muito difícil conseguir o apoio popular necessário para sua reeleição. Neste item, aliás, o próprio presidente não tem ajudado, visto polêmicas que sempre levanta e que poderiam ser evitadas.

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Entretanto, nada lhe tira o mérito em frear o velho toma lá dá cá que norteou a política brasileira nos últimos anos. Tampouco em realizar uma agenda de combate à corrupção e escolher seu ministério sem a interferência das costumeiras costuras políticas. É a isto que o Centrão, sob a liderança do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Democratas – RJ), se rebela. Não à toa o Centrão vem se unindo ao PT para detonar a Operação Lava Jato, da forma como aconteceu na quarta-feira quando retiraram o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da pasta do ministro Sérgio Moro.

A realidade é que o Centrão, em sintonia com o PT e outros partidos da oposição, também não demonstra qualquer escrúpulo em enfraquecer o governo do presidente Jair Bolsonaro já pensando na eleição de 2022. A própria entrevista do vereador Cesar Maia dá pistas claras nesse sentido, quando ele diz que “o estilo do Rodrigo não é exatamente o da forma como a política está sendo feita hoje: racionalidade, paciência, audiência. Mas pode ser que daqui a pouco surja um quadro diferente e desse estilo surja adesão”. Claro! A adesão é o apoio do Centrão à futura candidatura de Rodrigo Maia, seu filho, à presidência da República.

O presidente da Câmara dos Deputados tem dado provas suficientes de sua pretensão neste sentido. Nas últimas eleições ele só não foi candidato porque não conseguiu viabilizar a própria candidatura. Agora o apoio do Centrão e da oposição é patente. Daí que até a próxima eleição ele pretenda apenas aprovar as medidas paliativas, bem como aquelas que facilitarão o próximo governo. Neste aspecto, em silêncio, ele vai de encontro ao que disse o deputado Paulinho da Força. O único meio que os amedronta é a opinião pública. Por isto, o horror ao voto aberto e às manifestações pró-governo nas ruas.

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