Donos de bares: "os vilões" da pandemia

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Foto: Ilustrativa
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Donos de bares de Cachoeiro de Itapemirim estão enfrentando uma espécie de “lockdown”, pois para as autoridades esse tipo de estabelecimento atrai aglomerações e não pode funcionar de jeito nenhum, nem que seja por delivery ou drive thru.

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Vejo alguns trabalhando escondidos, com meia porta aberta, temendo a qualquer momento ser abordado pela fiscalização que chega em seus estabelecimentos acompanhados de várias viaturas como se estivessem caçando bandidos. Seria cômico se não fosse verdade: é dono de bar trabalhando escondido como se fosse “boca de fumo” e dono de boca de fumo trabalhando tranquilo como se fosse dono de bar. Triste realidade!

Os donos de bares já estão há quatro meses sem poder trabalhar. É a categoria mais penalizada pelos órgãos públicos. Mas aí vão dizer que existe o auxílio emergencial. Muitos desses comerciantes pagam aluguel, e com seus estabelecimentos fechados precisam pagar o contrato de locação (alguns poucos locatários foram solidários e abriram mão do aluguel), além disso tem que pagar tarifa de água comercial, cujo mínimo custa em torno de R$ 160,00, e conta de luz. Há ainda o prejuízo com mercadorias que estão vencendo nos estoques.

Muitos destes estabelecimentos não vão reabrir. Para poder sobreviver, comerciantes estão vendendo, a baixo custo, utensílios e equipamentos de bares. Não existe um plano de ajuda para essa categoria.

Estive com um amigo, que tinha uma vida um pouco tranquila, que cuidava do seu comércio com a ajuda de seus familiares. Com os olhos cheios de água me relatou não ter mais recursos para pagar contas e garantir seu sustento. Está vivendo com ajuda de amigos, com doação de cesta básica. Ele já não sabe mais o que fazer. A situação dele é a mesma de centenas de donos de bares.

Deveria ter um regramento para que pudessem trabalhar, nem que fosse com metade da capacidade, adotando as medidas de segurança.

Não é preciso ser fiscal para encontrar facilmente diversos estabelecimentos, das mais diversas categorias, funcionando em dias e horários não permitidos por decretos. Muitas igrejas não estão respeitando as regras de funcionamento. Existe aglomeração e muitos não utilizam máscaras. Nada contra as igrejas, mas do jeito que está, não vejo diferença do funcionamento de uma igreja para um bar. Os supermercados… Acho que nem preciso falar! Em alguns deles, com seus corredores apertados, a aglomeração é certa. Mas é supermercado, né?! Nos bancos a situação também é crítica, filas gigantescas de pessoas precisando receber dinheiro ou pagar suas contas.

Não seria justo os donos de bares pagarem mais caro por esta conta. Será o pecado deles maior do que os dos demais seres mortais?

Que Deus salve os donos de bares, pois os homens, pelo jeito, não poderão salvá-los!

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