Do céu ao inferno: faltou sabedoria do líder Victor Coelho

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O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), falhou ao não dialogar antes de demitir quase 1.400 professores com contrato em designação temporária.

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O socialista foi eleito num clamor popular de mudanças e teve êxito no pleito por carregar o sobrenome do seu irmão, o saudoso deputado Glauber Coelho que, se estivesse vivo, certamente estaria no comando da Prefeitura hoje.

Victor tem pregado a transparência e o diálogo, trabalhou para garantir a valorização dos servidores públicos com o novo plano de cargos e salários. Mas nesta semana errou, pois não dialogou com os professores, o sindicato da categoria e os vereadores sobre a questão dos desligamentos, mesmo que temporário por conta da Covid-19.

Os professores se sentiram traídos, pois segundo eles, fizeram as lições para seus alunos estudarem em casa, tiveram prazo para entregar o material, e assim que a entrega do conteúdo foi feita receberam a notícia dos desligamentos no dia 15 de abril, mas com data retroativa a 1º de abril.

A pressão contra o prefeito, que já era grande por conta do fechamento do comércio em função do isolamento social, aumentou ainda mais.

Houve protestos nas redes sociais e na porta do Palácio Bernardino Monteiro. O presidente do Sindimunicipal, Jonathan William, visto como aliado de Coelho, ameaçou ação judicial para reverter as demissões. Vereadores questionaram se houve redução no repasse de recursos do Governo Federal, por meio do Fundeb, para justificar os desligamentos.

Victor Coelho foi do “céu ao inferno” em questões de horas. Prometeu que retornaria com os professores ao fim da pandemia, mas isso não foi o suficiente.

Opositores aproveitaram a presepada do gestor para “fazer campanha” em cima da desgraça alheia. E logo ele foi taxado de “comunista, esquerdista, apoiador de Luladrão, fantoche de Casagrande”, entre outros adjetivos.

No dia seguinte, nesta quinta-feira (16), o prefeito reviu sua decisão e anulou os desligamentos. Para tentar compensar o erro, como pedido de desculpas a população e para servir de exemplo aos demais, reduziu o seu próprio salário e de secretários municipais e ainda suspendeu o tíquete alimentação de servidores comissionados.

Toda ação tem uma reação e essa situação serve de aprendizado. Na condição de um grande líder é preciso ter sabedoria e muito diálogo.

Torcemos por uma boa gestão do prefeito, apesar de muitos torcerem pelo quanto pior, melhor. Estamos todos no mesmo avião, se o piloto falhar cairemos junto com ele. E os passageiros dessa aeronave é a população.

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