Decisão na prorrogação

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“Primeiras pesquisas mostravam reeleição tranquila dos senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Porém, na reta final, Fabiano Contarato (Rede) embalou”

De um lado, a eleição presidencial segue para um segundo turno. Do outro, a eleição às duas vagas ao Senado pelo Espírito Santo caminha para uma decisão na prorrogação, nos últimos minutos. Assim como a eleição para a Câmara Federal, que tem um grande número de indecisos às vésperas do pleito. Já o preenchimento das 30 vagas da Assembleia Legislativa mostra tendência de reeleição de vários deputados, embora pesquisas desta natureza sejam complexas e mais sujeitas a incorreções.

A esta altura, o que se mostra praticamente decidida é a eleição de Renato Casagrande (PSB) para o governo, coroando seu recall e sua persistência de opositor, ao longo dos últimos anos, mostrando que para se cacifar numa disputa desta envergadura é preciso começar o mais cedo possível. Veja o caso da senadora Rose de Freitas (Podemos), parlamentar bem avaliada e com fortes raízes municipalistas. Andou ensaiando dobradinha com Casagrande, depois se colocou meio tarde na disputa e fez uma campanha morna. Corre o risco de ser superada, na segunda posição, por Manato, que surfa na bolha Bolsonaro.

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O pesquisador José Luiz Orrico avalia que o cenário da disputa para o Senado é o mais acirrado, ainda que o mais distante do eleitor. “O Senado fica longe, o eleitor comum não sabe muito bem o que representa e faz sua escolha sem muita empolgação”, pontua. Pensando bem, não é à toa que chamam “o Senado de céu”, pois todos querem chegar lá, e para isso nem precisam morrer. O que chama a atenção nesta disputa agora é que as primeiras pesquisas mostravam reeleição tranquila dos senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Porém, na reta final, Fabiano Contarato (Rede) embalou.

Curioso é que o último Ibope para o Senado mostra Malta e Ferraço disparados na frente, e Contarato bem distante. Mas não foi isso o que revelou a pesquisa Dattamarketing/A Tribuna, quase no mesmo dia, que mostrou Contarato liderando, na pesquisa espontânea. E encostado em Ferraço, na menção estimulada. Analistas apontam ainda a curva ascendente do candidato Marcos do Val (PPS), para acabar de tirar o sono da dobradinha Malta-Ferraço.

O fato da eleição à Câmara Federal exibir 68% de eleitores indecisos favorece, em tese,  aqueles candidatos que têm um partido para chamar de seu. Além da maior visibilidade que usufruem no horário eleitoral, têm musculatura e máquina partidária trabalhando a favor até as proximidades da boca da urna. Isso faz uma grande diferença. Não por acaso, maioria dos 10 deputados federais do Espírito Santo, hoje, são dirigentes partidários ou têm forte influência.

Já na disputa para deputados estaduais, o atual modelo de campanha eleitoral curta (45 dias) favorece a quem já tem mandato – e uma estrutura a seu favor montada – e também já se tornou conhecido. As mudanças previstas vão ocorrer mais nas vagas abertas por parlamentares que resolveram apostar em outro cargo, e em duas vagas abertas por desistência. Sem que isso implique necessariamente em renovação. Ocorre muito de trocar seis por meia dúzia. Nesta disputa, surpresas podem ocorrer por meio de candidatos que souberam usar a ferramenta das redes sociais.

Vale anotar e conferir depois o desempenho nas urnas dos muitos candidatos locais que têm visibilidade nas mídias (apresentadores de TV, jornalistas), juntamente com aqueles que são de áreas específicas – médicos, delegados, etc. Contudo, nem sempre nome e rosto conhecidos ou atuação profissional de destaque se traduzem em votos.

 

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