Como nasce um escritor?

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Como nasce um escritor? Essa não é uma pergunta nova, e nem é facilmente respondida. Foram muitos os que tentaram, desde priscas eras. Há que se trabalhar, sofrer, limar, suar, diria Bilac, com o que concordaria, de pronto, João Cabral.  Vinícius talvez dissesse que umas das chaves estaria, quiçá, nos olhos da mulher amada, ou da mulher que passa, tendo já passado pela pena de Baudelaire. De qualquer modo, a descoberta da escrita é, para muitos, puro mistério; para outros, é a total claridade, epifania que brota do cotidiano, como uma flor do asfalto no poema de Drummond.

Os alunos do curso de Letras, do Ifes campus Venda Nova do Imigrante, em busca da palavra certeira – de seus ardis e segredos – vêm-na engendrando a partir de leituras várias, imagens fílmicas, vivências em sala, e pelo mundo que a extrapola; vêm praticando os desdobramentos da linguagem, pois que tudo nela se traduz e nela se desdobra. Não há disso resultado algum, nada pronto, concluído, fechado; há apenas a busca, aquela que, enquanto se é vivo, não cessa. E mesmo que já tenham aprendido com o poeta mineiro que “lutar com palavras é a luta mais vã”, seguem exasperados no desafio da escrita.

Os textos que ora começam a surgir nesta coluna estão ainda à procura: de seu lugar na história, de seu leitor ideal, de seu caminho na literatura; em construção, como a própria vida. Nascem não só de uma experiência de escrita que nasceu na sala de aula e a ultrapassou, mas de uma vontade que é pura luta – corpo a corpo, o tempo todo – e coragem de, assim como o fez o poeta (ainda o itabirano), ao ser desafiado pela palavra, aceitar o combate!

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Profª Drª Adrianna Meneguelli (Instituto Federal do Espírito Santo)

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