Aposentadoria

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Nesta semana termina meu contrato de trabalho com a CAIXA, por iniciativa minha como foi com os contratos anteriores. O que aconteceu de diferente foi o tempo de relacionamento, maior que muitos casamentos, por motivos simples e verdadeiros.

O emprego dá dignidade ao ser humano, não pelo dinheiro ou status, mas pela possibilidade de servir ao próximo de alguma forma. Há empregos que exigem contato direto com o beneficiado pelo seu trabalho e há aqueles que não oferecem essa oportunidade.

Na CAIXA se pode ir além desse simples contato ou não contato. A sua unicidade carrega um poder de transformação da sociedade que raras empresas possuem, a contar nos dedos. Como ouvi uma vez, no penhor de um simples anel de ouro até em um projeto de despoluição da baía da Guanabara a CAIXA pode atuar, passeando pela Rede de Proteção Social, PIS, FGTS e Seguro Desemprego, créditos de duzentos a bilhões de reais, em todos os perfis de clientes.

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Saber que de bancário se pode ir ao papel de agente de transformação social é o diferencial que justificou a longevidade do meu contrato. Não se restringir ao espaço físico de uma agência ou setor, mas participar de seminários sobre o plano diretor e sua implementação, encontros de comunidades, palestras de inclusão financeira, ações sociais em parceria com outras instituições, feiras de imóveis de iniciativa da comunidade, fundação de OSCIP, voluntariado em ONG e muitas outras atividades. Uma, em específico, me encantou: atuar em um campeonato de futmesa (antigo futebol de botão) com crianças em situação de risco social, onde pude resgatar até pedaços da minha infância.

A acomodação não fez parte do meu caminho, nem a subserviência (diferente da hierarquia). Fatos estranhos aos objetivos da empresa ocorreram e afetaram negativamente quem nela trabalhou e ainda trabalha, e foram passageiros como deveria ser. Os pilares da empresa são os que “vestem a camisa” de verdade, não a camisa de partidos políticos da hora.

Algumas reações que observei em amigos e conhecidos sobre o fim deste contrato indicaram achar tudo interessante ou uma grande interrogação de porquês. Da minha parte, enxergo toda essa história pessoal como parte de um grande ciclo formado por ciclos menores. O passado lá permanece, importam os reflexos do que foi feito e que alteraram os dias seguintes para alguém ou para muitos.

Não há régua para isso, nem espaço para imaginar ou criar importância onde não havia. Não superestimo as coisas nem as dou por menos do que são. Busco apenas fazê-las da melhor forma e com o menor esforço, não por obrigação, mas identificação e propósito, tenho prazer em trabalhar. Um prazer maior ainda quando o faço fora das paredes físicas, quando respiro com a realidade que existe por detrás dos papéis.

Ao final, fecha-se um ciclo e se inicia outro, também como deve ser.

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