Cercadinho ou globalização?

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Ao longo de sua história, o Brasil fez algumas escolhas que foram extremamente danosas para o crescimento econômico no longo prazo, uma delas foi a adoção
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Ao longo de sua história, o Brasil fez algumas escolhas que foram extremamente danosas para o crescimento econômico no longo prazo, uma delas foi a adoção do modelo de substituição de importações. Para Jorge Caldeira, historiador e autor do livro “História da Riqueza do Brasil”, durante a época do regime militar haviam dois modelos a serem seguidos: entrar no jogo da globalização ou se fechar ao mundo. Infelizmente, preferimos colocar um “cercadinho” nas nossas fronteiras.

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Enquanto o mundo apostou em se integrar ao mercado internacional, a fórmula brasileira preconizou fortalecer o mercado interno. O governo criou empresas estatais em uma quantidade jamais antes vista na história e protegeu-as da concorrência externa, promoveu subsídios elevados para setores estratégicos e atrasou o desenvolvimento tecnológico com a Lei da Informática (1984).

Qual foi o problema dessas políticas? Até a metade do século XX a economia interna brasileira crescia mais em relação ao comércio internacional, entretanto, com o fim das Guerras Mundiais e a volta da globalização, a situação se inverteu: o comércio global superava exponencialmente os mercados internos. Ou seja, desperdiçou-se uma excelente oportunidade de integrar o Brasil às cadeias globais de valor.

Teoricamente a estratégia nacional tinha tudo para dar certo, haja vista que a matriz industrial era muito parecida com a dos países desenvolvidos, logo, de fato conseguimos construir toda a estrutura de capital físico almejada. Ainda que houvesse semelhanças, esses setores nacionais tinham produtividade baixa e não eram capazes de competir internacionalmente, por mais que os tivéssemos protegidos por tantas décadas.

Diferentemente do Brasil, os países que aderiram à globalização tiveram surtos de crescimento, Portugal, até então um país pobre, convergiu fortemente em relação aos seus parceiros depois de adentrar à Comunidade Comum Europeia, o mesmo também ocorreu no leste europeu (Polônia, República Tcheca, Hungria e etc). Ao se tratar do exemplo asiático, Japão e Coréia voltaram seus modelos à exportação e tornaram suas empresas nacionais competitivas, embora houvesse algum protecionismo condicionado a metas de produtividade.

Permanecer no “cercadinho” custou caro para boa parte da sociedade brasileira, que arcou tributariamente e socialmente com os fracassos das políticas protecionistas do governo militar em diante. Para se ter ideia, mesmo após algumas aberturas comerciais, permanecemos uma das nações mais fechadas do mundo, essa informação pode ser facilmente constatada ao somarmos as importações e exportações, em porcentagem do PIB, ou através do relatório Doing Business (descontinuado em 2021). Por fim, entendo que já passou da hora de pularmos a cerca e desbravarmos novos terrenos.

Contato: rafa.frossard (Instagram)

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