Casagrande versus o imponderável

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Sai da disputa eleitoral o previsível e entra o imponderável.  E por isso a movimentação de Paulo Hartung (MDB) preocupa tanto os mais sensatos de dentro do PSB.

Enquanto os aloprados de sempre soltavam foguetes ao saber que o governador não será candidato à reeleição, os pés no chão do partido olham assustados a notícia temendo o que pode surgir a partir dela.

Contra Hartung a receita estava pronta. O ex-governador Renato Casagrande ia trabalhar a desconstrução do governo atual, inflar os feitos do seu, e explorar o desgaste da imagem do governador, cuja rejeição em recentes pesquisas eleitorais estava o dobro da sua. Sem o principal oponente, muda muita coisa, para não dizer tudo.

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Primeiro é preciso saber quem vem para disputa. Os prováveis substitutos serão o senador Ricardo Ferraço (PSDB) ou o deputado estadual Amaro Neto (PRB). E para qualquer um deles será preciso reinventar a estratégia. Se na conjuntura anterior, Renato era favorecido pelo desgaste de Hartung, em outro cenário esse desgaste do poder passa para si.

Os dois novatos e pretendentes ao Palácio Anchieta – Ricardo e Amaro – vão pedir uma chance, enquanto o ex-governador será lembrado pelo que deixou de bom e ruim. Se Renato tem o peso da experiência de ter governado, para o seu oponente a possibilidade da chance de construir algo novo e diferente do que já se conhece será a marca da campanha.

Nunca é tarde lembrar que a rejeição do eleitor a Hartung não é necessariamente uma aprovação ao Renato. Em 2014, o modelo administrativo do ex-governador também foi rejeitado nas urnas. Mesmo no poder, o PSB foi derrotado. Logo, enfrentar alguém sem o desgaste de ter sido governante e com ideias novas, com linguagem nova, pode pesar demais. Este sim, poderá desgastar muito mais aquele que já governou.

Só para corroborar com o raciocínio, basta ver o que acontece em nível nacional. O povo esgotado da política e de políticos tradicionais coloca o presidenciável Jairo Bolsonaro (PSC) no topo das pesquisas. Sem ir longe, Cachoeiro é exemplo disso. Quem era Victor Coelho (PSB)? Ilustre desconhecido que chegou falando coisas novas, de jeito novo, se comunicando diferentemente, sonhando com o povo, até virar prefeito.

Ninguém brinda o cotidiano. Os champanhes são abertos em situações extraordinárias. Sem Hartung no páreo tendo que explicar ao eleitor os seus cotidianos de desafios, de acertos e erros, o e tal quilo de sal que precisou comer para governar, essa tarefa fica para quem já governou, no caso Casagrande.

O ex-governador que terá de explicar os seus quilos de sal entre 2010 e 2014, enquanto o oponente oferecerá ao povo xícaras de açúcar. Mas tal qual o sal, açúcar também faz mal, pode lembrar algum socialista. Sim, mas e daí? Para o criterioso eleitor, talvez o que importe nesse momento e se a xícara é nova ou velha.

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“Todos erram neste mundo / Não há exceção / Quando voltam a realidade / Conseguem perdão / Porque é que eu Senhor / Que errei pela vez primeira / Passo tantos dissabores / E luto contra a humanidade inteira” – Sim (Cartola)

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