Carnaval e Política

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Carnaval Rio 2018 - Desfile na Sapucaí - Paraíso do Tuiuti - Grupo Especial - Paulo Portilho | Riotur
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Para muitos brasileiros o ano só começa depois do Carnaval. A festa que faz todo mundo espairecer com o colorido das fantasias, o agito dos bloquinhos, a folia da dança. É a hora de festejar e esquecer um pouco dos problemas pessoais, dos problemas do país, certo? Bom, mas o Carnaval também pode ser um ótimo meio de crítica social, como foi nesse ano. É impossível falarmos sobre a disputa entre as escolas do Rio de Janeiro em 2018, sem citar o tema principal que garantiu o título da vice e da campeão: a crise política e social do nosso país.

Pois é, não é só de agito que vive o Carnaval, mas também de expressão. A Paraíso do Tuiti, escola de samba carioca que no ano passado teve o susto de um acidente grave com um de seus carros alegóricos, não se deixou abalar e foi para a avenida fazer o Brasil pensar. A escola de samba trouxe a escravidão como comissão de frente, arrepiou quem estava no sambódromo e fora dele. Nos carros alegóricos, a carteira de trabalho amassada do cidadão brasileiro que se vira como pode, na eterna busca por um emprego com direitos garantidos. E o que dizer da crítica ao presidente atual do nosso país no último carro? Uma ousadia que comemora nossa liberdade de expressão que, ainda bem, nesses casos está garantida.

Seguindo na mesma linha de reflexão social. A campeão Beija-Flor de Nilópolis trouxe uma comparação entre “Frankstein” e as mazelas da corrupção no Brasil. A desigualdade social, a intolerância religiosa, social, de classes, não deixou de estar presente nos carros e arrepiou muita gente. O samba enredo trazia o grito que todo brasileiro quer dar diante da corrupção: “Oh Pátria Amada, por onde andarás?/ Seus filhos já não aguentam mais!” Era mais que um samba, era um pedido urgente de ajuda. Foi uma Sapucaí tomada pelo grito de milhares de brasileiros que sofrem todos os dias com essa desigualdade, com a diferença de quem tem muito e de quem não tem nada, nem para alimentar os filhos.

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O que essa mistura significa

Carnaval se misturar com política? Momento de alegria tratar de uma preocupação? Parece contraditório, mas não é. O Carnaval reúne a festa popular é feito pelo povo e para o povo e, se a nossa situação é tão forte, a corrupção é tão nítida, nada melhor do que uma festa que é uma manifestação da população mostrar que não é a serpentina, ou o colorido, que farão com que esqueçamos a luta diária de todo o povo, que só quer fazer valer o título do Brasil, de ser o país das alegrias.

 

Foto: Paulo Portilho (Fotos Públicas)

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